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quinta-feira, 14 de abril de 2011

C'est la vie.

Voamos como o vento que sopra rumo ao horizonte até desaparecermo-nos dos outros, às vezes até de nós mesmos. Desencontros e encontros. A terra gira indiferente.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Democracia e Crise

Lendo sobre Brasil Império me surgiu uma dúvida: uma democracia deve ser estável? Se Bonifácio que defendia uma monarquia constitucional nos meados do século XIX, acreditava que sem a monarquia não haveria liberdade e estabilidade, será que ele estava completamente errado?
De certa forma, pensarmos em uma democracia não implicaria certa instabilidade, fruto das disputas entre setores sociais e o embate constante que deveria caracterizar uma democracia real que sustentasse um espaço político de efetiva participação daqueles que compõe tal sociedade? Assim, não seria a crise, ou tendências a crise, uma característica (em devidas proporções) das sociedades democráticas?
Não se trata aqui de fazer uma defesa de regimes autoritários e não democráticos, mas, pelo contrário, de perceber que esse embate e crise são necessários e devem ser estimulados para que os processos de mudança político-social continuem a se constituir indefinidamente.
Não seria essa a lógica de uma democracia, não estaríamos em muito ainda presos a uma idéia de estabilidade que talvez seja incompatível com a idéia de democracia?

Talvez, uma pista para compreender isso seja o estudo da economia política, uma vez que quando pensamos em crise e na maioria de momentos históricos desde a constituição da sociedade moderna, a instabilidade política reflete em instabilidade econômica e, conseqüentemente, perdas econômicas especialmente para as elites que dominam, característica inerente às sociedades capitalistas.
Dessa forma a instabilidade política significa prejuízo, perda de lucro. Obviamente não podemos resumir os momentos de crise a apenas um prejuízo às elites, visto que setores médios e populares também perdem e sofrem com o evento, porém, usualmente, quando ouvimos na mídia e outros interessados na manutenção do interesses de tais setores - produzindo vasta literatura jornalística ou acadêmica sobre o assunto - relacionam em geral a crise a tais perdas de possibilidades de lucro ao que de fato estão interessados.
Em síntese, quero chamar a atenção que para sociedades em que a estabilidade econômica está no cerne das preocupações para a manutenção do lucro, tenta-se transpor tal idéia como algo universal - inválido de fato, visto que esses momentos podem gerar mudanças para outras formas organizacionais (chegando ao outros modos de produção) o que tentam combater - e que se relaciona muito mais com uma preocupação econômico-privada, chocando-se inevitavelmente com a lógica de uma sociedade democrática.

Obviamente esse combate à crise econômica está ligado muito mais ao espaço econômico-político de atuação de tal elite, uma vez que para um grupo uma crise econômica pode ser interessante quando representa oportunidade de alcance de um maior mercado - quebra concorrentes, países onde matérias e mão-de-obra se tornam mais baratos. A sociedade capitalista também se utiliza, assim, das crises para alcançar o êxtase de seu laissez-faire, todavia, não suporta que essas crises levem ao questionamento de sua própria estrutura, enquanto sistema econômico capaz de traduzir-se meio de ampla satisfação das necessidades humanas.

A democracia se mostrou interessante para esses setores quando representou oportunidade de chegarem ao poder em espaços antes limitados a outros grupos, sejam de outros interesses capitalistas, ou no caso do Brasil Império, da corte portuguesa. Assim como no Brasil momentos de lutas democráticas representou, na verdade, uma ascensão de uma elite interessada em outro tipo de política econômica mais voltada para a indústria (Revolução de 1930), mas que pode ser invertida quando em outros momentos utiliza-se da própria via anti-democrática (ditadura militar de 1964) para manutenção de seus interesses, e que a descarta quando não lhes mais interessa - Redemocratização de 1980.

Evidentemente não podemos restringir esses momentos de passagem histórica a tais estruturas, eles representam uma dinâmica mais ampla que diversos outros atores sociais interagem, porém podemos procurar diagnosticar a performance de certa elite durante tais processos e sua relação com o idéia de Democracia.

Democracia significaria certa crise e não seria ela do nosso interesse? Uma sociedade alternativa a sociedade capitalista que se paute a conservar liberdades individuais e políticas através da democracia deve compreender que esse espaço de questionamento e crise precisa ser preservado.

Liberdade real, não a liberdade proporcionalmente imaginária em prática e discurso de uma sociedade capitalista na qual a liberdade de consumo se apresenta enquanto liberdade e emancipação pessoal, na mesma medida em que excluí a maior parte da população daquilo que produz.

http://processosubjetivo.blogspot.com

PS: Céus, tanto estudo tem que servir para alguma coisa, tanto ler na universidade e não conseguir produzir algo concreto que seja nosso, a fim de expressar essas ânsias é angustiante. Trabalhar, militar, estudar, mas ser humano também! Arte e expressão tão em necessidade aqui... ¬¬
Não suporto essa coisa do "seja o homem que corre e faz de tudo", o homem moderno que tem que ser tudo e termina sendo nada e ainda por cima infeliz. Chega de cultivar a insatisfação como se isso proporcionasse caminhos de elevação individual, precisamos ser felizes!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Estrela

Escrevendo besteiras...
Em Março escrevo algo que preste, provavelmente sobre os filmes que tenho assistido...
Até lá...

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Era uma criança, mas andava manco como um velho.

Após inúmeros tropeços, quedas sob um sol escaldante e noites gélidas

Encontrou um ombro amigo para acompanhar na viagem e se apoiarem.

Falou-se da vida, fizeram planos, enquanto o Destino não chegava.

Até que um dia, o ombro que parecia tão certo, esvaiu-se, deixando-o só.

Na primeira das habituais quedas, ergueu os olhos e viu o percurso andado e por andar.

Notou então, pela primeira vez, que era um caminho pedregoso, com espinhos

Cujo clima instável e inconstante castigava-o.

Percebeu que era a arte, a música, a amizade e alguma fantasia que até então camuflaram a real forma da estrada.

Então, a Vida pareceu-lhe Morte, e a Morte, Vida.

Ficou confuso: o Horizonte de chegada antes certo e amargo, parecia-lhe agora doce.

E o percurso antes tão bom e agradável causava-lhe desconforto.

Olhou em volta e percebeu o quanto vivera enganado.

Ajoelhado sob as pedras, tentou, mas em vão conseguiu segurar o choro e a aflição

De saber que aquela caminhada deveria continuar por longos anos

Até a doçura do Destino lhe abraçar.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Poesia sobre o tempo...

Por que me aperta o peito
Prendendo a respiração
e pausando os pensamentos?

Quem me aperta o peito
Prendendo minha respiração
e pairando em meus pensamentos?

Que será do tempo
Temo o tempo
E o tempo não teme
mas só ele sabe
O que será

Futuro é mistério
É a obscuridade de uma ignorância
que nunca vamos acabar
A ignorância do que será

Quem vai medir
a velocidade das alegrias
Quem vai medir
o devagar das tristezas
o século de uma angústia?

Quem vai mandar no tempo?
Em quem o tempo vai mandar?
Que será de nós se o tempo
Persiste em nos escravizar...

terça-feira, 21 de abril de 2009

Ode a Dioniso

A ti ofereço esse humilde sacrifício
Pois humilde também é este teu servo
Ao teu errar infinito
Entoo tua força e divindade!

Mal logro meu,
Meu peito foi violado pelo doce veneno cíprico
Virei escravo de um desejo!

Afrodite, cruel Afrodite, roubou-me meu bem mais amado
Prendeu meu coração
E tirou-me o doce sabor do vinho

Por isso, te peço!
Dá-me novamente o teu sabor sagrado!
Permita-me sentir teu êxtase!
Pemita-me, eu fraco homem, esquecer meus infortúnios mais uma vez

Ó Baco! Deixa-me embriagar no teu culto
Participar dessa vertigem...
Alcançar a catárse dionisíaca!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Arco-Íris Híbrido

Hoje, navegando pela internet, resolvi recolocar meu antigo web site no orkut, datado de 2004. Daí, olhando o que tinha lá, encontrei um texto daquela época (09/11/04) que fiz baseado em uma música dos The Pillows: Hybrid Rainbow.

Segue o texto e comentário.


Arco-íris Híbrido

A cidade parece um grande gibi. Vou folheando suas ruas vendo inúmeras cenas. Uma mulher atravessar a rua com seu filho, um garotinho jogando futebol. Mas passando assim rapidamente, observando do lado de dentro dessa janela tudo parece monocromático. Há vida nisso tudo, mas atrás desse vidro se apaga, e mesmo que daqui eu possa assistir a todo esse roteiro de acontecimentos, nada se compara a participar desse grande espetáculo. Como um arco-íris híbrido, uma mistura de todos esses sentimentos, de pessoas, vozes e cores. Mas está tudo tão distante, tão sem cor, tão mecânico.

Qual será a vantagem de saber a verdade do mundo se na realidade não participo dele? Que riquezas possuo sabendo a origem do mar, o futuro de seus peixes, de onde acabarão as montanhas ou até mesmo o futuro de toda a humanidade, se não faço parte disso tudo? É como um filme rodando na minha frente sem pretensão de acabar, afinal, sendo o universo eterno, como um ciclo que vai e vem, e eu como seu único espectador, que assiste toda essa reprise por bilhares de anos, mesmo que os personagens nunca sejam completamente iguais, ainda assim não posso tocar no que vejo, sentir o que sentem, sofrer o que suas lágrimas rolam, rir seus sorrisos, sentir ternura em um abraço que nunca poderei dar.

Ah sim! Mas é mesmo belo todo este arco-íris, mesmo daqui monocromático, ainda assim posso sentir suas cores. Como é lindo esse arco-íris híbrido.

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Fiz apenas uma pequena alteração (fiz um novo parágrafo no final). Lembro que a idéia do texto surgiu de uma imagem na minha cabeça, quando andava de carro, sentindo-me aquém do que se desenrolava lá fora.
Imaginei assim, Deus: em seu carro do tempo, passando por nós, vendo nossas histórias, mas sem interferir nas nossas vidas (na minha concepção do ideário judaico-cristão da época).
Lembro também, que durante algum tempo tive muito desejo de me tornar um escritor. Pretendia ler muito e escrever mais ainda. Mas, sempre que me aproximo da escrita, vejo que não é algo simples. Sinto-me distante desse "sonho". E lendo esse texto, noto que não mudei muito em relação a "produção textual", em imaginação, ou sei lá o quê, talvez ainda esteja com um pé em 2004..

De qualquer forma, acho mesmo muito bonito quem escreve, ou melhor, a literatura.

Aproveitando o ensejo, vou indicar o blog do Harrison - compa do curso de História - cujos textos achei interessantes. [ http://dimorf.blogspot.com/ ]

Em seguida o endereço do meu antigo site e do link de onde peguei meu velho texto.

http://br.geocities.com/last_senshi/

http://br.geocities.com/last_senshi/blog/blog01-texto02.htm