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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Semestre corrido, mas Virado!

Esse semestre está extremamente corrido, entrei em muitas atividades, e às vezes fico pensando que não sobreviverei às semanas que virão. No entanto, conforta saber que as atividades valem a pena e que muita coisa está por vir seja a nível acadêmico, político ou mesmo afetivo.

Assim, queria chamar atenção para um evento da semana passada que marca uma virada na situação política da UFPB desde que entrei no Movimento Estudantil: nós da chapa VIRAMUNDO ganhamos as eleições para o DCE/UFPB 2010.

Essa chapa montou-se sob ampla frente de esquerda que aglutinou diversos estudantes indepentes - como eu -, e outros organizados em coletivos como o Levante, ANE-L, CONJUNTO ou em partidos como PSTU, PCR, Consulta Popular, e até o PT (embora bem minoritário).

O caráter da chapa é de unidade, o que achei um grande avanço na situação política daqui, que desde Dezembro de 2008 não via tamanha unificação das lutas. É bom participar de reuniões grandes, com opiniões diversas e vendo muita vontade de mudar a situação da UFPB e da educação brasileira - e da sociedade em geral - nos rostos dos militantes do movimento, isso estimula demais, especialmente em um momento em que o tamanho marasmo do ME me tentava a abandonar esse método de luta.

Espero que essa página não seja apenas virada, mas que o ViraMundo, revire a universidade como um todo, ou seja: realize formações, eventos, integre os estudantes da UFPB, seus cursos, CA's e as lutas; que paute o combate as opressões, que defenda à universidade pública, ma que vá além das lutas essencialmente políticas, também discutindo a academia; que garanta tratamento adequado aos arquivos da entidade que se encontram há muito abandonados, que pressione a reitoria a utilizar bem as verbas, que exponha as má utilizações de recursos na UFPB. Ou seja, há muita coisa ainda para se fazer e discutir... É uma jornada longa, que precisa de muito trabalho e que espero que essa unidade forneça o pique que precisamos para realizar um bom exercício político no Diretório Central dos Estudantes.

Estou bem otimista e feliz com as ações da ANE-L, Levante e Conjunto especialmente.

Vamos ver qual será o futuro dessa chapa... Semestre que vem, mudarei um pouco os planos para tentar contribuir melhor com esse processo... Esperança, acho que é bem esse o sentimento atual.

Até breve!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Negra é discriminada e leva chutes na UFPB

E-mail recebido da Prof. Solange Rocha da UFPB, militante do Movimento Negro:

25 de Maio de 2010

“Chamar só de negro safado não é crime”, diz delegada da Paraíba sobre racismo
A delegada da 4ª Delegacia Distrital de João Pessoa, Juvanira Holanda, afirmou que o acusado de agredir uma estudante africana a chutes dentro da Universidade Federal da Paraíba e cometer ato de preconceito contra a estrangeira não responderá por racismo nem por lesão corporal. O vendedor de cartões de crédito está sendo investigado apenas por injúria e vias de fato. Para a delegada, chamar uma pessoa de negro não configura crime de racismo e chutar o abdômen não é lesão corporal. Segundo a delegada, uma testemunha afirmou que o acusado disse "pega essa negra-cão" durante a confusão que se formou no campus, quando a estudante foi tomar satisfação com o vendedor de cartões por um gesto obsceno que ele teria feito para ela.

- Não houve racismo. Para caracterizar racismo tem que ter uma série de coisas. Não é só chegar e falar "sua branca", "seu negro" ou "seu negro safado". Só caracteriza racismo quando, por exemplo, você impede o acesso de um negro a educação - afirmou a delegada.

De acordo com a delegada, o acusado negou ter chamado a estudante de negra, pois ele também diz ser negro. O vendedor afirma que a estudante o empurrou e correu atrás dele.

- O que houve foi uma discussão simples - disse a delegada.

Juvanira Holanda afirmou que a estudante foi internada no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena devido a seu estado emocional.

Para saber da repercussão local ver http://www.pbagora.com.br/conteudo.php?id=20100525121236&cat=brasil&keys=chamar-so-negro-safado-nao-crime-delegada-paraiba-sobre-racismo
Repercussão Nacional ver http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2010/05/25/chamar-so-de-negro-safado-nao-crime-diz-delegada-da-paraiba-916683695.asp

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Espero que a UFPB tome as devidas medidas sobre o assunto - quanto a nós estudantes, nós tomaremos as nossas. É lamentável o ato racista, mas mais lamentável ainda foi a resposta da delegada. Devemos romper de uma vez por todas com as opressões.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Carta Aberta sobre o ENADE/SINAES

(Carta de sugestão para o Centro Acadêmico Quebra Quilos do Curso de História da UFPB, a fim de problematizar a questão da Avaliação do Curso, bem como os últimos acontecimentos de tensões entre a Coordenação do Curso e a representação estudantil)

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Desde 2004 todas as universidades são obrigadas a se submeter a avaliação do ENADE dentre elas a UFPB. Em consonância com o Movimento Estudantil nacional de esquerda unânime na posição de crítica e boicote ao ENADE, houve na UFPB e, mais especificamente, no curso de História um movimento político de oposição a prova puxado não apenas pelo Centro Acadêmico de História, mas com outros CA's e coletivos ainda hoje atuantes na UFPB.

O curso obteve um baixo resultado no ENADE, ficando sujeito à visita in loco de representantes do MEC. Neste período, O CA passava por um momento delicado de reorganização e de renovação dos quadros; Preocupado com uma mudança em práticas anteriores, o CA buscava maior diálogo com o Departamento de História (DH).

Nessa conjuntura, o coordenador professor Ângelo Emílio recebe a notícia da visita iminente do MEC. O DH fica apreensivo - provavelmente pelas notícias de más experiências de cursos pós-avaliação do MEC Brasil afora. Inicia-se um debate e estratégias do Departamento, Coordenação e CA para juntos identificar o motivo da nota baixa, e a pergunta freqüente era: foi o boicote o motivo da nota baixa? Mas não havia, nem há, dados para resolver tal questão.

A estratégia era clara: ASSINAR A PROVA E NÃO RESPONDER AO QUESTIONÁRIO, colocando um adesivo do boicote ou um zero de caneta - assim o aluno não se prejudicaria, pois a prova é OBRIGATÓRIA, e pré-requisito para receber diploma. Isso foi avisado em sala e no dia da prova, quando também houve mobilizações. No entanto, O CA foi acusado, INDEVIDAMENTE, de ter feito um ato "irresponsável" e acusado de brincar de fazer política pelo professor e coordenador Ângelo Emílio que dizia pela universidade que os estudantes de história boicotaram o ENADE porque o CA mandou, como “boiada”, retirando qualquer dimensão crítica e autônoma dos estudantes do curso de História.

Essa posição não foi corroborada por outros professores que tentavam explicar que a situação não era bem essa, que o CA estava em uma gestão específica - que de fato não é a de hoje -,embora tal decisão fora fruto de diversos debates, e que os estudantes não fizeram por “boiada”, mas por concordar com o posicionamento da gestão. No entanto, as acusações continuavam em momentos diversos, tornando-se mais tensa a situação com a visita do MEC.

Durante a recepção do CA para os feras de 2010, o professor Ângelo deu o aviso da avaliação do MEC e convidou os estudantes a participar de uma das reuniões. Em sua fala chegou a dizer que os alunos "não fossem dizer que tudo era dourado, mas também não fossem para a reunião reclamar apenas para fazer oposição por fazer oposição ao governo". Mais uma vez subestimou o pensamento dos estudantes e quis claramente influenciá-los frente a avaliação do MEC. Ora, essa atitude demonstra a posição tensa e temente do Departamento e em especial do coordenador com a avaliação do curso. Além de cometer o equívoco de querer insinuar aos alunos que façam um discurso moderado durante a reunião, o professor tentou diminuir um espaço legítimo de fala do alunado que, segundo nossa concepção, deveria ter o direito de dizer aquilo que achavam sem contenções, exercendo seu direito de expressar suas ânsias e inquietações com a Universidade e seus problemas estruturais.

Questionado sobre sua atitude na praça da alegria, o professor se exaltou e fez acusações graves e impertinentes ao CA: exaltado, acusou-nos de ser uma “seita política”, desconhecendo a situação real do CA e desrespeitando seus membros, especialmente os novatos. Além disso, a frase ignora a dinâmica política do Movimento Estudantil e do CA.

Há contradição em diversas falas que nos acusam de sermos responsáveis pela visita do MEC através do Boicote e quando se diz que o ENADE é só uma pequena parte do SINAES – Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior - desprezando sua importância. Ora, se essa importância é tão pequena, por que a visita do MEC e por que tamanha preocupação?

Assim, estando a atual gestão interessada em agir com maior apuração sobre o tema, repetimos mais uma vez que estamos dispostos a discutir o assunto com nossos colegas de curso e professores (desde que com respeito às nossas posições), e para tanto tais espaços estão sendo discutidos.

Deixando claro: queremos discutir com a Coordenação e Departamento todas as questões relativas ao curso e Universidade, pedindo aos integrantes que esse evento equivocado não perturbe nossas relações. Todavia exigimos respeito a nossas posições que não devem nem vão se submeter a outras entidades da universidade fazendo jus a autonomia estudantil tão arduamente conquistada e lutada pela história do Movimento Estudantil da qual fazemos parte.

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Não sei se a carta será publicada na universidade...

domingo, 13 de dezembro de 2009

Brasília, sangue e estudantes


Brasília é um espaço realmente simbólico de nosso Brasil e dos conflitos sociais mundiais: construída sob sangue de trabalhadores, sob chacinas e crimes até hoje impunes (ver documentário Conterrâneos Velhos de Guerra de Vladimir Carvalho), ainda hoje as atrocidades e violências permanecem ocorrendo o olho nu, às vezes daquela forma que estamos acostumados e insensíveis (a exploração do homem pelo homem) outras de formas que a própria democracia atual de nossa sociedade condena: o abuso da repressão policial feita pelo Estado, contra aqueles que fazem manifestações contra os ataques à própria noção democrática do nosso Estado (!).

Assim, foram surrados diversos estudantes de Brasília, esta semana, deixando o país atônito.
Fico pensando até onde isso representa realmente um abuso momentâneo, excepcional, ou a consolidação de novas práticas repressivas que se tornaram cada vez mais lugar comum no nosso país, propenço a uma nova situação autoritária iminente.

Segue um texto bacana que li a respeito na net:

http://oglobo.globo.com/pais/moreno/posts/2009/12/11/meu-reino-por-um-cavalo-249244.asp