NÃO IGNOREMOS TAIS DEBATES !
sábado, 4 de junho de 2011
Ferve Brasil ou debates que não podemos ignorar mais.
NÃO IGNOREMOS TAIS DEBATES !
sábado, 16 de abril de 2011
Correio Verdade - Palhaçadas da Mídia Brasileiro-paraibana
| "A TV paraibana nunca foi tão ridicularizada. As mortes transmitidas das 12 às 13h, que já era prato principal do almoço de muitos paraibanos "vidrados" no correio verdade agora estão do jeito que o jornalismo imprudente sempre sonhou: as pessoas riem da desgraça alheia e a bandidagem ainda vira melô, hit musical... Pois é, as novas celebridades do jornalismo local não são reconhecidos por seu trabalho sério e competente em informar...não são visto pelo Brasil como repórteres que elevam a Paraíba...são reconhecidos em toda a parte, mas, como o próprio Portal Correio anunciou em 2010, " Agora, toda a Paraíba vai ver e conhecer a força, a alegria e a irreverência de Samuca Duarte e Emerson Machado." É mesmo uma pena que estivessem falando de um programa policial... Sucesso no you tube, orkut e afins, a "dança do mofi" é unanimidade: agrada tanto aos cidadãos de bem quanto aos bandidos. As crianças, incentivadas até mesmo pelos pais, colocam a camisa na cabeça e com os braços para trás dançam e aumentam a popularidade do jornalismo que todas as tardes ri da falta de consciência de uma população que já acostumada com a impunidade, resolveu aceitar que ela virasse piada. Tratados como "amigos" (já que são a audiencia), os criminosos até gostam das brincadeiras, afinal de contas, nem é assim tão grave o que eles fazem... |
... |
Para mim, parecia que já tinham usado e abusado de todas as armas do sensacionalismo, mas mostraram que não: no dia 31 de março o telejornal foi transmitido em pleno Mercado Público de Mangabeira, e é claro, com direito a palco e plateia. A cada notícia de mais uma entrada no Hospital de Emergência e Trauma ou de uma briga em bar que acabava em morte, uma música era tocada pela banda que estava participando do Caravana da Verdade. Lágrimas, perdas e outras tristezas que merecem respeito (seja por quem for), viraram show. Um show desejado e aclamado por muitos telespectadores. Ah, a ideia contraditória e doentia da contratação da banda foi anunciada no prórpio Portal Correio, com as seguintes palavras:" A Banda Identidade Baiana realizará um show para animar ainda mais o evento, das 11h às 14h." Samuka Duarte, Emerson Machado ( Mô- fi), Marcos Antonio (O Àguia), Josenildo Gonçalves (O Cancão da Madrugada) e toda a equipe de edição do Correio Verdade conseguem, dia após dia, tornar animadas as refeições de paraibanos que não se importam em almoçar frente às cenas de corpos perfurados e poças de sangue humano. Creio que não conseguem, com a mesma eficácia, tornar menos dolorosa a sina de uma mãe que sente a dor de ter um filho que agora é presidiário, de parentes de uma criança que morreu acidentalmente ou de um pai, que vê seu filho destruído pelas drogas, morto e servindo de audiência para um programa de humor negro chamado Correio Verdade. Não sou jornalista. Sou nutricionista, mas antes disso, cidadã. Incomodada com o desprezo explícito à vida humana senti a obrigação de pedir a todos os meus contatos que repensem seus valores de respeito e dignidade à vida sempre que pensem em assistir esse e outros programas que indiquem sinais tão fortes de insulto a nós, telespectadores. Insulto a nossa capacidade e direito de exigir jornalismo de qualidade em palavras e atitudes. Se concorda, repasse o email. Quanto mais as pessoas se conscientizarem dos "pequenos" males que nos envolvem com graça e alguns risos com gosto de sangue, mais chance teremos de exercer e usufruir daquilo que chamamos de cidadania. Merecemos mais respeito." Texto de Elaine Oliveira. |
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Cultura política e breves reflexões sobre a esquerda brasileira
Texto escrito há muito para postar no blog. Mas com a correria dos estudos, nem me organizei para postar, mesmo com dois meses de atraso - e agora revisado - aí vai:
26/02/11
Ouvindo: A Banda – Chico Buarque
Sábado. Comecei o dia na abertura do Carnaval de João Pessoa, com direito a muito frevo, axé e, principalmente, Alceu Valença, cuja performance me fez esquecer de todo o cansaço de uma sexta-feira fatídica e dançar, cirandar e seguir o trio até às 2h da manhã, na bela Lagoa no centro de nossa cidade. Fico pensando o quão podemos ficar orgulhosos de nosso vasto país: temos artistas fantásticos capazes de nos emocionar, animar, rir, chorar. Brasil: apesar das desigualdades, ainda criadouro de arte e humanidade.
Deixando de lado toda essa ladainha piegas, falarei do real tema do texto: li um texto publicado na revista de “Estudos Históricos e Sociais” Fênix. O texto é do Professor e Pesquisador Alcides Freire Ramos da UFU e seu título é A luta contra a ditadura militar e o papel dos intelectuais de esquerda.
O tema de cultura política me interessou muito. Aborda-se o contexto pós 1964, quando a esquerda entrou em um grande período de auto-avaliação. A partir daí o Alcides Freire analisou como tais organizações se relacionaram com os terríveis rumos políticos tomados pelo nosso país e seu papel nesse processo. Assim, a esquerda identifica suas debilidades com ilusões e comportamentos “pequeno-burgueses” em seus quadros. Essa atitude está presente nos textos do PCB e outras frações dele, inclusive naquelas que adotaram a luta armada como saída política para a situação sufocante da ditadura militar brasileira.
O tema já me interessa um bocado, mas para além da questão de compreender um momento histórico, chamou-me a atenção para alguns indícios que permanecem muito presentes nas práticas e discursos políticos dos partidos de esquerda hoje. Não à toa, a todo momento o texto me remetia às experiências no Movimento Estudantil quando convivi, principalmente, com militantes do PSTU e Consulta Popular. Já achava alguns conceitos estranhos e um tanto inconsistentes – não os digo que são por si só, mas em como eram utilizados, ou seja, na sua função prática, no cotidiano político – e, assim, o tema se tornou mais curioso ainda. Lembrava a todo tempo as palavras de ex-companheiros de Centro Acadêmico ou militância dizendo – muitas vezes taxando – todo tipo de ação, ideias ou comportamentos como “pequenos-burgueses”, como uma maneira de deslegitimar práticas e ideias através da associação deles ao crime do fantasma do desvio de classe, ou melhor, de identidade de classe.
Parece-me, agora, mais tentadora a História Cultural que antes, ainda mais quando pode ser aplicada assim a temas políticos. Dessa forma, fico a todo momento pensando na ideia de Chartier que propõe a análise dos textos de uma sociedade a partir da tríade representação, prática e apropriação. OK, Não é a ideia deste texto esgotar ou analisar tal questão: isso requeria muito mais leituras, é mais um indicativo de reflexões que fiz durante minha atuação política e que agora estas leituras – do Chartier e do texto do Alcides Freire – tornam algumas coisas mais claras e curiosas.
Assim, fico pensando em como o marxismo – e isso certamente vale para outras teorias – é apropriado de forma diversificada por diversos intelectuais e que tais apropriações nem sempre correspondem as leituras que os militantes acreditam conhecer. Podemos falar em marxismos, embora muitos, mesmo na universidade e no movimento, insistam em tratar como algo único, partindo de certas noções de senso comum que o relacionam ao marxismo clássico da Europa oriental que está longe de ser a única abordagem da teoria marxista. Daí desse problema de formação e das práticas políticas há outro abismo: nem sempre esse "conhecimento" - como um fenômeno dado na prática, não da real compreensão de uma ideia tal qual é colocada por um autor - leva a uma prática realmente coerente com idéias marxistas, uma espécie de interrelação entre conhecimento e (des)conhecimento; ou, às vezes, compreensões claras, mas de teorias não mais interessantes levam a práticas desinteressantes.
Assim, surgem os fantasmas da “identidade pequeno-burguesa”, “peleguismo”, etc, que em vez de explicar ou guiar satisfatoriamente as ações políticas, mais maquilam outros preconceitos como racismo, machismo, dentre outros. Esse fenômeno que descrevo está relacionado a um tipo de prática no Movimento estudantil (caracterizado por uma "pequena burguesia" se utilizarmos o marxismo clássico), mas que acredito que se lança mão de tais conceitos, muitas vezes, os distorcendo e, a partir daí, relacionando-os a preconceitos e justificações de querelas políticas menores para legitimar ou deslegitimar práticas políticas opositoras.
No artigo da Fênix fica claro o impacto psicológico e social que tinham tais noções dentro das organizações de esquerda da segunda metade da década de 1960: pressões, confusões e, frente às péssimas condições político-estruturais que elas enfrentavam, muitas vezes culminando em atitudes suicidas. Obviamente não seria justo atribuir tais comportamentos tão somente à tais linhas políticas, mas também identificar que a truculenta repressão do período era o cenário para tais acontecimentos, o motor de tais conjunturas tão radicais.
O que quero chamar a atenção, é a criação desse "demônio", desse intruso, desse ente, que atrapalha e desorganiza as ações políticas. Em outro texto sobre a União Soviética, essa exaltação de uma cientificidade do marxismo que caía em certo cientifismo da época, culminou por ser prejudicial às relações políticas dali, dificultando, inclusive, as vias democrática internas dos bolcheviques.
O texto pode parecer um tanto quanto briguento demais - e confuso sem ser confrontado com o texto do Alcides Freire -, mas, para além das críticas à esquerda, continuo acreditando na maioria de seus valores. Mas, ao mesmo tempo, vejo o quão somos incipientes em matéria de política e a necessidade de avançarmos mais e mais na construção de um novo modelo de sociedade – algo extremamente necessário, permaneço acreditando. Até mesmo porque tais resoluções “radicais” ou “inconsistentes” não são simplesmente crias partidárias, mas de homens e mulheres que discutiram coletivamente e que escolheram dedicar suas vidas à criação de um mundo melhor. Foram tais homens e mulheres que foram trucidados na ditadura militar, não apenas vítimas lastimáveis de um regime violento, mas porque preferiram enfrentar quando muitos acovardar-se-iam. Essa é a história de nossa esquerda: erros, acertos, dores, feridas, risadas e muita coragem.
Procurem o texto!
domingo, 9 de janeiro de 2011
"Você já foi ao Japão?"
Acho complicado colocar a questão como se isso tudo fosse apenas imposto pelo cinema e TV - quando há certo grau de legitimação da própria população que termina por se identificar com as propostas estéticas que lhes são apresentadas - e colocar tudo como modismo. Concordo que há certos aspectos preocupantes na juventude como a despolitização, o gosto pelo descartável e a fugacidade das relações tão característico de nossa sociedade atual. Mas também acho que às vezes é preconceituoso resumir as coisas a "modismos" quando ela foge de uma identificação dos valores aos quais nos identificamos. Para mim, a questão seria entender o porquê de se desenvolver tal cultura, por exemplo, no Japão: por que o tipo de música produzido lá é tão diferente e com vozes que, às vezes, soam-nos tão desarmoniosas? Por que o surgimento de tal estética de vestuário? Quais os malefícios que isso poderia gerar?
Acompanhava a "cultura pop" japonesa antes de entrar na universidade, e embora hoje tenha diversas críticas ao que se produz lá, acredito que há muito de incompreensão cultural dos brasileiros, em geral, quando se deparam com aquilo que circula lá.
Acredito que, colocando na oposição capitalismo/socialismo, uma real sociedade com socialização - dos meios de produção material, deveria garantir meios democráticos, inclusive, de produção cultural e permitir as pessoas fazerem opções que lhes dão prazer. Apesar de toda essa cultura estar ligada, evidentemente, a uma questão de mercado, o que nos faz garantir que as pessoas não poderiam optar por fazer algo parecido em outras condições? Me preocupa às vezes essas questões, afinal, foi muito difícil para a esquerda ultrapassar, inclusive, a estética do realismo-socialista, que teve seu momento fértil mas depois representou um entrave artístico para muitos artistas que eram praticamente obrigados a permanecer naquele tipo de produção por ser "engajada"; aqui no Brasil isso gerou um movimento que deu origem à fantástica produção do Cinema Novo e do Tropicalismo.
Em suma, uma sociedade mais igualitária deve ser buscada com respeito às diversidades, artísticas inclusive.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Democracia e Crise
De certa forma, pensarmos em uma democracia não implicaria certa instabilidade, fruto das disputas entre setores sociais e o embate constante que deveria caracterizar uma democracia real que sustentasse um espaço político de efetiva participação daqueles que compõe tal sociedade? Assim, não seria a crise, ou tendências a crise, uma característica (em devidas proporções) das sociedades democráticas?
Não se trata aqui de fazer uma defesa de regimes autoritários e não democráticos, mas, pelo contrário, de perceber que esse embate e crise são necessários e devem ser estimulados para que os processos de mudança político-social continuem a se constituir indefinidamente.
Não seria essa a lógica de uma democracia, não estaríamos em muito ainda presos a uma idéia de estabilidade que talvez seja incompatível com a idéia de democracia?
Talvez, uma pista para compreender isso seja o estudo da economia política, uma vez que quando pensamos em crise e na maioria de momentos históricos desde a constituição da sociedade moderna, a instabilidade política reflete em instabilidade econômica e, conseqüentemente, perdas econômicas especialmente para as elites que dominam, característica inerente às sociedades capitalistas.
Dessa forma a instabilidade política significa prejuízo, perda de lucro. Obviamente não podemos resumir os momentos de crise a apenas um prejuízo às elites, visto que setores médios e populares também perdem e sofrem com o evento, porém, usualmente, quando ouvimos na mídia e outros interessados na manutenção do interesses de tais setores - produzindo vasta literatura jornalística ou acadêmica sobre o assunto - relacionam em geral a crise a tais perdas de possibilidades de lucro ao que de fato estão interessados.
Em síntese, quero chamar a atenção que para sociedades em que a estabilidade econômica está no cerne das preocupações para a manutenção do lucro, tenta-se transpor tal idéia como algo universal - inválido de fato, visto que esses momentos podem gerar mudanças para outras formas organizacionais (chegando ao outros modos de produção) o que tentam combater - e que se relaciona muito mais com uma preocupação econômico-privada, chocando-se inevitavelmente com a lógica de uma sociedade democrática.
Obviamente esse combate à crise econômica está ligado muito mais ao espaço econômico-político de atuação de tal elite, uma vez que para um grupo uma crise econômica pode ser interessante quando representa oportunidade de alcance de um maior mercado - quebra concorrentes, países onde matérias e mão-de-obra se tornam mais baratos. A sociedade capitalista também se utiliza, assim, das crises para alcançar o êxtase de seu laissez-faire, todavia, não suporta que essas crises levem ao questionamento de sua própria estrutura, enquanto sistema econômico capaz de traduzir-se meio de ampla satisfação das necessidades humanas.
A democracia se mostrou interessante para esses setores quando representou oportunidade de chegarem ao poder em espaços antes limitados a outros grupos, sejam de outros interesses capitalistas, ou no caso do Brasil Império, da corte portuguesa. Assim como no Brasil momentos de lutas democráticas representou, na verdade, uma ascensão de uma elite interessada em outro tipo de política econômica mais voltada para a indústria (Revolução de 1930), mas que pode ser invertida quando em outros momentos utiliza-se da própria via anti-democrática (ditadura militar de 1964) para manutenção de seus interesses, e que a descarta quando não lhes mais interessa - Redemocratização de 1980.
Evidentemente não podemos restringir esses momentos de passagem histórica a tais estruturas, eles representam uma dinâmica mais ampla que diversos outros atores sociais interagem, porém podemos procurar diagnosticar a performance de certa elite durante tais processos e sua relação com o idéia de Democracia.
Democracia significaria certa crise e não seria ela do nosso interesse? Uma sociedade alternativa a sociedade capitalista que se paute a conservar liberdades individuais e políticas através da democracia deve compreender que esse espaço de questionamento e crise precisa ser preservado.
Liberdade real, não a liberdade proporcionalmente imaginária em prática e discurso de uma sociedade capitalista na qual a liberdade de consumo se apresenta enquanto liberdade e emancipação pessoal, na mesma medida em que excluí a maior parte da população daquilo que produz.
http://processosubjetivo.blogspot.com
PS: Céus, tanto estudo tem que servir para alguma coisa, tanto ler na universidade e não conseguir produzir algo concreto que seja nosso, a fim de expressar essas ânsias é angustiante. Trabalhar, militar, estudar, mas ser humano também! Arte e expressão tão em necessidade aqui... ¬¬
Não suporto essa coisa do "seja o homem que corre e faz de tudo", o homem moderno que tem que ser tudo e termina sendo nada e ainda por cima infeliz. Chega de cultivar a insatisfação como se isso proporcionasse caminhos de elevação individual, precisamos ser felizes!
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Semestre corrido, mas Virado!
Assim, queria chamar atenção para um evento da semana passada que marca uma virada na situação política da UFPB desde que entrei no Movimento Estudantil: nós da chapa VIRAMUNDO ganhamos as eleições para o DCE/UFPB 2010.
Essa chapa montou-se sob ampla frente de esquerda que aglutinou diversos estudantes indepentes - como eu -, e outros organizados em coletivos como o Levante, ANE-L, CONJUNTO ou em partidos como PSTU, PCR, Consulta Popular, e até o PT (embora bem minoritário).
O caráter da chapa é de unidade, o que achei um grande avanço na situação política daqui, que desde Dezembro de 2008 não via tamanha unificação das lutas. É bom participar de reuniões grandes, com opiniões diversas e vendo muita vontade de mudar a situação da UFPB e da educação brasileira - e da sociedade em geral - nos rostos dos militantes do movimento, isso estimula demais, especialmente em um momento em que o tamanho marasmo do ME me tentava a abandonar esse método de luta.
Espero que essa página não seja apenas virada, mas que o ViraMundo, revire a universidade como um todo, ou seja: realize formações, eventos, integre os estudantes da UFPB, seus cursos, CA's e as lutas; que paute o combate as opressões, que defenda à universidade pública, ma que vá além das lutas essencialmente políticas, também discutindo a academia; que garanta tratamento adequado aos arquivos da entidade que se encontram há muito abandonados, que pressione a reitoria a utilizar bem as verbas, que exponha as má utilizações de recursos na UFPB. Ou seja, há muita coisa ainda para se fazer e discutir... É uma jornada longa, que precisa de muito trabalho e que espero que essa unidade forneça o pique que precisamos para realizar um bom exercício político no Diretório Central dos Estudantes.
Estou bem otimista e feliz com as ações da ANE-L, Levante e Conjunto especialmente.
Vamos ver qual será o futuro dessa chapa... Semestre que vem, mudarei um pouco os planos para tentar contribuir melhor com esse processo... Esperança, acho que é bem esse o sentimento atual.
Até breve!
terça-feira, 25 de maio de 2010
Negra é discriminada e leva chutes na UFPB
25 de Maio de 2010
“Chamar só de negro safado não é crime”, diz delegada da Paraíba sobre racismo
A delegada da 4ª Delegacia Distrital de João Pessoa, Juvanira Holanda, afirmou que o acusado de agredir uma estudante africana a chutes dentro da Universidade Federal da Paraíba e cometer ato de preconceito contra a estrangeira não responderá por racismo nem por lesão corporal. O vendedor de cartões de crédito está sendo investigado apenas por injúria e vias de fato. Para a delegada, chamar uma pessoa de negro não configura crime de racismo e chutar o abdômen não é lesão corporal. Segundo a delegada, uma testemunha afirmou que o acusado disse "pega essa negra-cão" durante a confusão que se formou no campus, quando a estudante foi tomar satisfação com o vendedor de cartões por um gesto obsceno que ele teria feito para ela.
- Não houve racismo. Para caracterizar racismo tem que ter uma série de coisas. Não é só chegar e falar "sua branca", "seu negro" ou "seu negro safado". Só caracteriza racismo quando, por exemplo, você impede o acesso de um negro a educação - afirmou a delegada.
De acordo com a delegada, o acusado negou ter chamado a estudante de negra, pois ele também diz ser negro. O vendedor afirma que a estudante o empurrou e correu atrás dele.
- O que houve foi uma discussão simples - disse a delegada.
Juvanira Holanda afirmou que a estudante foi internada no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena devido a seu estado emocional.
Para saber da repercussão local ver http://www.pbagora.com.br/conteudo.php?id=20100525121236&cat=brasil&keys=chamar-so-negro-safado-nao-crime-delegada-paraiba-sobre-racismo
Repercussão Nacional ver http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2010/05/25/chamar-so-de-negro-safado-nao-crime-diz-delegada-da-paraiba-916683695.asp
-----------------------------------
Espero que a UFPB tome as devidas medidas sobre o assunto - quanto a nós estudantes, nós tomaremos as nossas. É lamentável o ato racista, mas mais lamentável ainda foi a resposta da delegada. Devemos romper de uma vez por todas com as opressões.
domingo, 20 de dezembro de 2009
A Face do Verso
"Toda a minha vida quis que as pessoas ouvissem o que tenho a dizer sobre o que acho que tem valor e importância para mim.Foi impossível.Todos os que encontrei só sabiam ver em mim um homossexual. O que eu sentia, sentia desta ou daquela maneira, porque era homossexual. Me falaram o tempo inteiro do meu jeito homossexual; da minha sensibilidade homossexual; de minha história homossexual; do meu sexo homossexual; de minha tendência homossexual. Dos amigos aos analistas todos, todos, só sabiam dizer: “esconda! Mostre!”; “seja homossexual, não seja homossexual”. Muitas vezes pensei, quando encontrava pessoas que ainda não conhecia, em pedir-lhes, como em O fantasma da Ópera, “close your eyes”, olhem através de mim, vejam o que existe e que não é homossexual. Impossível. Acabei cedendo; achei sendo “um homossexual”; “acabei sendo um gay”. Agora, que estou perto de morrer, talvez me deixem em paz. Achei que podia encontrar alguém que me ouvisse falar do que gostei, de quem amei, do que me fez triste, alegre, etc. Por isto te procurei. Vou morrer, já posso deixar de ser homossexual"
(Citação do livro A Face e o Verso de Jurandir Freire Costa. Essa é uma resposta de um rapaz de 32 anos ao ser questionado pelo motivo que o levava ao consultório do autor)
Ainda hoje a homossexualidade permanece como tabu para a sociedade brasileira e mundial. Apesar do caráter aparentemente democrático de nossa sociedade, homossexuais (assim como outros grupos minoritários) encontram dificuldades para viver plenamente suas potencialidades, realizar seus objetivos, sonhos, desejos.
Em Berlim, entre a Primeira Guerra Mundial e a ascensão nazista, os homossexuais encontraram um período de liberdade, podendo ir às ruas, abraçar e beijar seus companheiros e companheiras com maior conforto e dignidade. No entanto, com o desenrolar do regime nazista, foram perseguidos, capturados, presos, torturados, mandados a campos de concentração e assassinados.
Algumas gerações passaram e mesmo com tais regimes totalitários mais distantes – no Brasil temos uma redemocratização recente – os homossexuais permanecem marginalizados, obrigados a viver em guetos, encontrando diversos obstáculos legais, sociais, econômicos, bem como todos os demais problemas inerentes à conjuntura atual de nossa sociedade, tendo como agravante sua condição homossexual extremamente recharçada socialmente.
O Movimento Homossexual (como diversos outros) tão mais fortes e vigorosos algumas décadas atrás em momentos de grande efervescência político-juvenil, não se encontra com a mesma força, tendo seu principal veículo de manifestação política – a Parada Gay -, cada vez mais um caráter carnavalesco, sem garantir um espaço reivindicatório realmente eficiente na luta por uma maior possibilidade de vivência plena e digna da sexualidade.
Afinal, que democracia é esta? Que mundo é este em que vivemos? Quando as vozes daqueles oprimidos pelo sistema, daqueles insatisfeitos com as desigualdades e com as opressões sociais poderão dar volume a suas vozes reivindicatórias?
Quando poderemos abertamente discutir o que é ser homossexual, e talvez nos questionar até onde é realmente necessário tal estereótipo para o ser humano? Quando nos perguntaremos se nosso vizinho está realmente feliz, e até onde podemos contribuir para a garantia da fraternidade, sem tropeçar em pré-requisitos e rótulos?
Certamente não conseguiremos isso recorrendo a analistas, ficando no armário, fechando-se em guetos ou indo brincar, uma vez por ano, na Parada Gay.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Brasília, sangue e estudantes

Brasília é um espaço realmente simbólico de nosso Brasil e dos conflitos sociais mundiais: construída sob sangue de trabalhadores, sob chacinas e crimes até hoje impunes (ver documentário Conterrâneos Velhos de Guerra de Vladimir Carvalho), ainda hoje as atrocidades e violências permanecem ocorrendo o olho nu, às vezes daquela forma que estamos acostumados e insensíveis (a exploração do homem pelo homem) outras de formas que a própria democracia atual de nossa sociedade condena: o abuso da repressão policial feita pelo Estado, contra aqueles que fazem manifestações contra os ataques à própria noção democrática do nosso Estado (!).
Assim, foram surrados diversos estudantes de Brasília, esta semana, deixando o país atônito.
Fico pensando até onde isso representa realmente um abuso momentâneo, excepcional, ou a consolidação de novas práticas repressivas que se tornaram cada vez mais lugar comum no nosso país, propenço a uma nova situação autoritária iminente.
Segue um texto bacana que li a respeito na net:
http://oglobo.globo.com/pais/moreno/posts/2009/12/11/meu-reino-por-um-cavalo-249244.asp
domingo, 4 de outubro de 2009
DEM no DCE da UFPB!
Pois é, vamos parabenizar Lucas Medeiros (DCE UFPB) e Carlos Gomes (IFPB) pelos seus novos passos largos nas suas carreiras políticas!
Afinal, de acordo com o jornalista que fez essa reportagem, Efraim enxergou que:
“antes os jovens universitários tinham as atenções voltadas para os partidos de esquerda”, afirmou. “Hoje não, a juventude está interessada em debater a educação, segurança, reforma universitária, temas que estamos discutindo em nossas universidades"
Afinal de contas, a esquerda não está interessada em discutir educação, segurança, reforma universitária e tudo o mais.
Bom, se eles alcançarem altos cargos, podemos esperar por um avanço em termos de festividades em João Pessoa, pois eles já ganharam uma vasta experiência com as calouradas unificadas da UFPB - que eram apenas mais uma forma de ganhar dinheiro, sem nenhum caráter político ou social.
Viva a essa Paraíba empreendedora! =P
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Dificuldade de trazer a política ao cotidiano
Ah, e só deixando bem claro, não sou (ainda) antipetista. Sou contra esse tipo de ação, seja vindo dos puxa-sacos do PT ou de qualquer outro partido. Tenho sérias ressalvas com certos comportamentos da esquerda (a direita não cito porque, bem, é desnecessário - só uma bomba resolve).
====Resposta ao texto publicado no Blog de Itárcio, pelo Gilvan Freitas:====
[Clique aqui para ler o texto do Gilvan Freitas]
Acho interessante que se tente montar uma "mídia alternativa". Mas, acho danoso reproduzir esse discurso populista, personalista que tanto aflige nossa política.
"Falta de tempo é desculpa para quem não método", gostaria que isso fosse dito para o assalariado que tem que trabalhar 8h diárias.
"...porque Lula é muitos. Lula é Dilma.Dilma é o povo" (ótimo, este é o motivo pelo qual devemos eleger Dilma? Ela não está aliada a um partido com programa e compromissos?)
Em vez de reproduzir o discurso alienador personalista, seria bem mais franco e educador mostrar que não se trata de uma pessoa, MAS DE UM PARTIDO, com princípios e idéias.
Para quem tem certa visão da bagaceira que se encontra essa política, esse tipo de texto demonstra apenas uma porcalhagem da esquerda (se é que dá para chamar isso de esquerda).
Sugiro, Gilvan Freitas, que o senhor repense antes de sair postando por aí, lembre-se que alguém paga por esse espaço "gratuito" de internet, esse alguém é o povo que é explorado e não tem acesso a internet tanto quanto a elite e a pequena burguesia. Então, mesmo sendo um espaço "gratuito" (há), a humanidade agradece se tiver mais cuidado com que tipo de discurso reproduzir.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Batepapo
Ontem, na mesma data, em 1839, nascia Machado de Assis, escritor fluminense que mais gosto. Pensando nisso, lembrei que durante muito tempo meu maior objeto de consumo - e não me condenem por usar essas palavras, já que me coloco como militante marxista - era um livro sobre ele: Machado de Assis Historiador de Sidney Chalhoub, no qual o autor faz uma análise histórica da sociedade brasileira do século XIX a partir dos textos machadianos.
O fato é que, mesmo após longo tempo no curso de História, apenas após entrar para o Movimento Estudantil, surgiu um interesse genuíno de estudar História do Brasil. Até então, minha relação com o passado de nosso país era nebulosa: embora estivesse ao meu redor o tempo todo, mal a reconhecia, ligando-me a ela por certa paixão a Machado e outros escritores de literatura nacional. Certamente o leitor achará (já plagiando a escrita do Pai de Casmurro e Brás Cubas) isso medíocre - e talvez até seja -, mas isso aconteceu e acho que faltava certa maturidade - leiase consciência - para reconhecer certas coisas e surgirem certos interesses. Em resumo: considero que esse fenômeno não é apenas mais um caso de alienação, de mediocridade, or whatever you wanna call it, minha. Isto é antes de mais nada um reflexo de nossa sociedade. Sei que existem milhões de pessoas na mesma situação, mas que nunca terão essa consciência que me surge agora e me faz sentir certo constrangimento.
Tal descoberta não é simples, causa grande embaraço, mas principalmente tristeza, tristeza de ver que nosso país se encontra nessa situação. Às vezes, penso que a entrada no Movimento estudantil, dado o crescimento, em vários aspectos que tive ali, pode ser uma das formas de se abrir para esse mundo político que é tão angustiante, mas ao mesmo tempo fascinante: causa angústia na medida em que reconhecemos o real caráter da sociedade em que vivemos, mas fascinante em pensar que podemos ser agentes de alguma mudança e alcançar um mundo melhor.
Certamente alguém lerá e achará que isso é romantismo, palavras de um jovem deslumbrado com algo que mal conhece e que ainda irá se frustar. E certamente não se pode idealizar demais o Movimento Estudantil, não demorei a aprender isso. Além disso, lutar por mudanças é algo muito dolorido e que nos cansa em diversos momentos - dada as dificuldades monumentais que encontramos. Mas, que fazer quando ficamos diante dessa imobilidade social, dessa alienação nossa ou alheia? Que fazer frente às desigualdades, ao sofrimento humano? Há outra alternativa consciente além de nadar contra essa correnteza?
É muito confortável fecharmos os olhos para os pedintes, para as mortes, para as guerras e para tudo que nos rodeia e seguirmos nossas vidas, preocupados com nossos conflitos individuais, mas é essa a saída que realmente queremos?
Para concluir, não esquecendo o aniversário de nosso maior escritor brasileiro, faço um apelo: leiamos Machado! O que esse grande homem, nascido tão pobre e que ascendeu a burguesia do século XIX, tem a nos dizer sobre nós, sobre o Brasil, sobre a humanidade? Leiamos Machado, aprendamos com seu olhar e linguagem irônicos a manter certo distanciamento dos aparatos sociais, dos rituais que regem nossa apodrecida sociedade. Sejamos estranhos a esta sociedade, sejamos críticos a ela: digamos não à TV, ao Cinema comercial, às propagandas, à História Oficial, ao jornal, e a muito mais - não! - eles não nos representam. Nós não somos o que eles tentam nos convencer. Não há natureza humana imutável e, tampouco, o estilo de vida burguês é algo universal. Neguemos esse universal, esse universal que tentam nos fazer engolir, goela abaixo, sem nenhum tempero ou cozimento, mas com vidro, com gelo e com estrume - tão dilacerantes, frios e fétidos como as idéias e ideologia desses que tentam nos enganar.
domingo, 10 de maio de 2009
Os filmes comerciais e a pobreza da fórmula
Filho da sociedade industrial, o cinema é algo recente e ainda em grande experimentação, mas que já tem sua força e diversidade acorrentadas pela tradição de uma estética extremamente repetitiva, galgada em fórmulas pobres e limitadas. O cinema comercial não está preocupado com inovações, com experimentações estéticas ou encorpamento de conteúdo: para ele um filme é apenas mais uma mercadoria como qualquer outra e deve possuir uma forma acessível e vendável. Na perspectiva de que o cinema pode ser bem mais que, por exemplo, aquela velhas narrativas com início, clímax e final de temas batidos e reincidentes de Hollywood - mas não apenas de Hollywood visto que a estética hollywoodiana é repetida em todo o globo - essa limitação estética ata a produção de outros tipos de cinema e, conseqüentemente, a exploração dos potenciais da linguagem cinematográfica.
Essa convenção estética não é apenas ruim no que diz respeito a limitar os aspectos artísticos do cinema. Ela também é uma forma de domínio ideológico. Ao contrário do que a mídia tenta provar o tempo todo, o cinema não é apenas um meio de entretenimento, ele é um instrumento de reprodução de discursos, de idéias, de opiniões, de valores - de uma ideologia. O cinema - seja isso evidente ou não - carrega consigo uma carga política. Ele também constrói a noção do que é aceitável ou não, seja no condicionamento de uma uma narrativa fílmica - ao exemplo das pessoas que veem tanto os filmes organizados com princípio meio e fim, que estranham um filme sem final ou narrado sem linearidade -, ou na reprodução de valores - mostrar o que é certo ou errado, mostrar certos agentes sociais - polícia, comunistas, padres, ladrões, mendigos, prostitutas - com um estereótipo determinado.
Essa massficação leva a um condicionamento estético que acostuma a população com um padrão extremamente simples e didático, restringindo as possibilidades do cinema se desenvolver, mas acima de tudo, de levar as pessoas a questionarem seu contexto social ou o próprio conteúdo fílmico.
Por conseguinte, a pobreza do cinema comercial não é apenas estética, mas também de conteúdo. Refluxo de uma sociedade (de controle) preocupada em manter uma organização, um sistema, que procura inibir, através de padrões, a gama de interpretações, pensamentos, comportamentos ou outras manifestações do homem, pois elas se mostram muito perigosas à manutenção desse sistema.
Essa pobreza que é oferecida ao público em geral - constatada nos filmes oferecidos nos cinemas -, priva a população de outros olhares sobre o filme em sua forma e conteúdo. Na verdade, o que é negado ao público são outras possibilidades de leitura e questionamento!
Fica-se acostumado com fórmulas, soluções práticas, receitas e situações previsíveis, quando a realidade se mostra sempre imprevisível e plural. Contrói-se um mundo de fantasia, uma leitura ilusória do mundo que além de frustrante - pois ela nunca dá conta do real pelos motivos explicitados - permite às forças daqueles que dominam o sistema, manterem sua privilegiada situação.
Concluindo, quero dizer que, na verdade, o cinema comercial é um fenômeno sintomático das relações de poder que sustentam nossa sociedade e que permitem a uma elite não apenas dominar o mercado fílmico mundial, mas alienar uma população que perde este forte veículo de questionamento que pode vir a ser o cinema.
domingo, 25 de janeiro de 2009
Movimento Estudantil?

Aqui seguem os links deste grande passo (para onde?) do Movimento Estudantil: [ Perfil do MEL no orkut ] [ Post com as Propostas: ]
Farei um comentário rápido das propostas que, infelizmente, não será tão eloqüente, ou consistente quanto eu gostaria, visto que isso tudo é muito novo para mim. Mas, nem será tão necessário, dado que o leitor verá pelas propostas o quão, intrigante e interessante é o discurso desse novo segmento do Movimento Social (?).
O texto abaixo são meus comentários rápidos lançados em outra comunidade em que eles postaram um tópico com a proposta deles.
-----
Propostas do MEL para 2009
Chegamos ao ano de 2009 e temos novas e melhores propostas para nossa universidade e para os alunos da UFRGS.Em 2009 o Movimento Estudantil Liberdade irá defender:
- Flexibilização da legislação trabalhista e da CLT – Para que as condições de trabalho sejam definidas entre patrão e empregado, em acordos individuais sem interferência da Lei;
Retrocesso das LEIS TABALHISTAS? Realmente, é a melhor forma de evitar que os patrões explorem mais os trabalhadores! Vamos levantar essa bandeira!
- Fim da Lei dos Estágios – Estagiário não é empregado, logo, não deve ter os mesmos direitos, prejudicando a iniciativa privada;
Claro! Claro! Conheci estagiários que trabalhavam tanto quanto eu que era empregado com carteira assinada, mas sem ter os benefícios que eu tinha, sendo demitidos com uma mão na frente e outra atrás (sem necessariamente uma boa justificativa). Como o estudante tem que estudar e trabalhar, e as pobres empresas não tem culpa disso, vamos protegê-las ainda mais, negando os benefícios aos estagiários. Claro, os benefícios estudantis e trabalhistas foram conseguidos tão facilmente ao longo da história... Por que valorizá-los tanto, não é?
- Privatização dos Restaurantes Universitários – Universidade é lugar de estudar, não de encher barriga;
Ha ha ha ha ha. Claro, vejo que o pessoal do MEL não vive na universidade que eu vivo, onde uma colega chega a dizer que sugere que deixe de lanchar todos os dias para poder comprar livros. Acho que tais colegas não fazem a contabilização de custos para se manter em uma universidade (xérox, livros, transporte, alimentação). Universidade não é lugar de encher barriga!!!
- Terceirização dos funcionários da UFRGS – Cortes de gastos públicos e maior participação da iniciativa privada na UFRGS;
Claro! Por que não privatizar logo as universidades? Seria mais rápido!
- Fim da Pós-Graduação gratuita – Tal como ocorre hoje com as specializações da UFRGS, os mestrados e doutorados também devem ser pagos, reduzindo os encargos da Universidade com a Pós-Graduação;Claro! Claro! O mercado de trabalho realmente está promissor para o estudante que sai da universidade. Se muitos precisam do Restaurante Universitário para se manter na graduação, com certeza poderão arcar com o pagamento de uma Pós. Será bom para nós, teremos que lutar para entrar na pós e para nos manternos lá (economica e inntelectualmente).Quer simulado melhor da barbárie que nossos colegas do MEL querem instituir para a sociedade selvagem ?Acho que eles não conhecem casos como de um colega meu que COM MESTRADO, não consegue achar um bom emprego. Desculpe, o MEL é realmente um movimento nacional? Quero dizer, daqui do Brasil?
- Ensino voltado para o empreendedorismo e diminuição do tempo de graduação – Defendemos a graduação de 2 anos, com foco para o mercado de trabalho, com menos aulas teóricas e requisito de estágio obrigatório e não remunerado em todos os currículos da UFRGS.
Bom, essa opção é a melhor de todas. Pelo visto os integrantes do MEL não conhecem (ou conhecem muito bem) as teorias de Marx sobre a alienação do modo de
produção. Fica a dúvida? É desconhecimento ou apologia à alienação?Não é à toa que no outro tópico que listava integrantes eu não vi nenhum de História ou de outro curso que realmente prepare POLITICAMENTE os universitários. E mesmo que tivesse algum, suas propostas já falam por si.
-
Até breve!
sábado, 24 de janeiro de 2009
Apatia e massacre: nosso século XXI
No entanto, tenho identificado que isso nada mais era que uma grande ilusão. Não digo que ocorra o contrário - que o conhecimento torne vil o homem -, mas que não existe aquela proporção necessária, e que o conhecimento tem sido muito útil à humanidade na possibilidade dela exibir sua face mais negra.
Imagino que ao ler tais palavras o leitor se lembrará rapidamente do holocausto, dos massacres indígenas ou da escravidão de negros. Esses são, de fato, eventos sombrios, dentre tantos outros, de nossa história, talvez mais conhecidos por tratarem da história européia cujas atrocidades inclusive tendem a ter seu horror atenuado.
Contudo estou falando de eventos recentes que, na realidade, continuam acontecendo. Penso nos massacres israelenses infligidos ao povo palestino e no consentimento internacional, especialmente estadunidense, às ações desproporcionais de Israel que mazelam a Palestina.
Até quando será permitido a Israel matar milhares de civis, a fim de expulsar uma população árabe nativa, construindo um Estado judaico sobre ensangüentado solo?
Espanta-me que ao estudar mais, continue a me surpreender quão vil pode ser a humanidade. Por quanto tempo permitiremos que Israel e os EUA passem por cima dos direitos humanos e repitam tragédias históricas? Nas palavras de Pierre Nora à Magazine Littéraire a afirmação de Marx "da primeira vez tragédia, da segunda farsa": "...a História não cessa de repetir-se, mas antes de ser passada a limpo, ou antes, com uma tinta cada vez mais negra, ela faz uma grande quantidade de borrões, e de cada vez é um pouco mais trágica".¹
Essa questão não é apenas "judaica", tampouco palestina, ela é nossa também. Como podemos, sendo seres humanos dotados de dicernimento e tendo valores morais comuns, compactuar com tal conjuntura? Esperaremos mais mortes?
Diante de tudo isso, entristece-me também a comunidade acadêmica que, como espaço privilegiado de debate, poderia privilegiar mais tais questões políticas tão importantes. Se antes havia com o marxismo certa esperança de dias melhores e mais humanitários, hoje há uma profunda apatia ao sofrimento de nossos iguais em proporcional distanciamento de linhas que tinham tal empatia. Falta, então, à humanidade algum ideal igualitário consistente? Relativiza-se tanto que não se busca mais, talvez, um Bem comum.
Esta é uma das principais razões que me fazem continuar a admirar àqueles que se engajam em movimentos sociais, sofrendo, muitas vezes, do olhar de desdém da grande maioria da nossa sociedade tão despolitizada, pois ao menos estão fazendo algo, mesmo que pequeno, pela mudança.
Assim também o é esse pequeno texto: um manifesto de um anseio por mudanças!
¹Nova História; trad. Ana Maria Bessa. Edições 70, 1991.