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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Poetando (?)

Largo em Lugar ilegal
em Lago Lânguido
um lúgubre "Liga Logo!"

Nada, Não dá.
Nem digo,
nudo desnudo
no dorso
na doçura...
nado nas (a)degas.

Bruno bronco,
brande as brumas brandas
do Brasil brejeiro e bruto.
Brinca e brilha.
De brinde uma bronca.


E aí eu fui escrevendo várias coisas com essas aliterações, achando que era poesia... Para ser sincero, poesia ou não, só que eu gostei muito da brincadeira..

=)

Mas, o Fernando Pessoa faz melhor:


Em horas inda louras, lindas
Clorindas e Belindas, brandas
Brincam nos tempos das Berlindas
As vindas vendo das varandas.

A literatura é uma coisa mágica, né?

sábado, 17 de julho de 2010

Aquilo que nos compete

O coração e a boca vermelhos-magma
E se o Céu suava
Aquele frio os esquentava

Caminhavam longa e pausadamente
E se no horizonte, não surgia o eternamente
É porque vivíamos apenas o finitamente

Quando Baco transformou a uva em vinho
Fez-se entre os homens enorme burburinho
Anúncio de futuros carnavais

E da mistura de dor, da paixão e da alegria
Surgiu o Brasil de folia
Compaixão dos deuses à nossa realidade
Deixemos, então, essa nobre-pobre tropicalidade
entoar seu culto donisíaco
Sejamos apaixonados, loucos
Lúcidas, bacânticas
Santos e maníacos

Oh, Brasil de brasileiros
Paraíba de damas e cavalheiros
Sejamos aquilo que nos compete ser!

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Ainda há pouco, meio que de improviso...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Poesia sobre o tempo...

Por que me aperta o peito
Prendendo a respiração
e pausando os pensamentos?

Quem me aperta o peito
Prendendo minha respiração
e pairando em meus pensamentos?

Que será do tempo
Temo o tempo
E o tempo não teme
mas só ele sabe
O que será

Futuro é mistério
É a obscuridade de uma ignorância
que nunca vamos acabar
A ignorância do que será

Quem vai medir
a velocidade das alegrias
Quem vai medir
o devagar das tristezas
o século de uma angústia?

Quem vai mandar no tempo?
Em quem o tempo vai mandar?
Que será de nós se o tempo
Persiste em nos escravizar...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Baudelaire no Itárcio

Discordo de algumas coisas do blog do Itárcio, mas definitivamente a escolha da poesia foi muito feliz:

http://blogdoitarcio.blogspot.com/2010/01/embriagai-vos.html

Embriagai-vos do Baudelaire.

Viva ao BBB (Baco, Benjamin e Baudelaire)

=]

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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Carlos Drummond de Andrade

Liberdade

O pássaro é livre
na prisão do ar.
O espírito é livre
na prisão do corpo.
Mas livre, bem livre,
é mesmo estar morto.

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Missão do Corpo


Claro que o corpo não é feito só para sofrer,
mas para sofrer e gozar.
Na inocência do sofrimento
como na inocência do gozo,
o corpo se realiza, vulnerável
e solene.

Salve, meu corpo, minha estrutura de viver
e de cumprir os ritos do existir!
Amo tuas imperfeições e maravilhas,
amo-as com gratidão, pena e raiva intercadentes.
Em ti me sinto dividido, campo de batalha
sem vitória para nenhum lado
e sofro e sou feliz
na medida do que acaso me ofereças.

Será mesmo acaso,
será lei divina ou dragonária
que me parte e reparte em pedacinhos?
Meu corpo, minha dor,
meu prazer e transcendência,
és afinal meu ser inteiro e único.

(Carlos Drummond de Andrade - Farewell - 1966)

Assim começa 2010,

Feliz Ano Novo!