domingo, 9 de janeiro de 2011

"Você já foi ao Japão?"

Comentário à postagem redirecionada do "blogdopituco" ( http://blogdopituco.blogspot.com/2010/05/154.html ) no Blog do Itárcio ( http://blogdoitarcio.blogspot.com/2011/01/voce-ja-foi-ao-japao.html ):

Acho complicado colocar a questão como se isso tudo fosse apenas imposto pelo cinema e TV - quando há certo grau de legitimação da própria população que termina por se identificar com as propostas estéticas que lhes são apresentadas - e colocar tudo como modismo. Concordo que há certos aspectos preocupantes na juventude como a despolitização, o gosto pelo descartável e a fugacidade das relações tão característico de nossa sociedade atual. Mas também acho que às vezes é preconceituoso resumir as coisas a "modismos" quando ela foge de uma identificação dos valores aos quais nos identificamos. Para mim, a questão seria entender o porquê de se desenvolver tal cultura, por exemplo, no Japão: por que o tipo de música produzido lá é tão diferente e com vozes que, às vezes, soam-nos tão desarmoniosas? Por que o surgimento de tal estética de vestuário? Quais os malefícios que isso poderia gerar?
Acompanhava a "cultura pop" japonesa antes de entrar na universidade, e embora hoje tenha diversas críticas ao que se produz lá, acredito que há muito de incompreensão cultural dos brasileiros, em geral, quando se deparam com aquilo que circula lá.
Acredito que, colocando na oposição capitalismo/socialismo, uma real sociedade com socialização - dos meios de produção material, deveria garantir meios democráticos, inclusive, de produção cultural e permitir as pessoas fazerem opções que lhes dão prazer. Apesar de toda essa cultura estar ligada, evidentemente, a uma questão de mercado, o que nos faz garantir que as pessoas não poderiam optar por fazer algo parecido em outras condições? Me preocupa às vezes essas questões, afinal, foi muito difícil para a esquerda ultrapassar, inclusive, a estética do realismo-socialista, que teve seu momento fértil mas depois representou um entrave artístico para muitos artistas que eram praticamente obrigados a permanecer naquele tipo de produção por ser "engajada"; aqui no Brasil isso gerou um movimento que deu origem à fantástica produção do Cinema Novo e do Tropicalismo.
Em suma, uma sociedade mais igualitária deve ser buscada com respeito às diversidades, artísticas inclusive.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Cinema Noir - O Crepúsculo dos Deuses

No CINEFAGIA estamos prestes a começar o estudo do Cinema Noir. Acabamos de estudar o gênero hollywoodiano Western e tem sido uma experiência gratificante conhecer tais momentos da história do cinema.

Assim, hoje assisti com amigos a Boulevard Sunset (O Crespúsculo dos Deuses, 1950), excelente filme em diversos sentidos, especialmente para compreender o que é Hollywood e sua máquina social cinematográfica no que se refere aos atores. Além disso, o filme problematiza a passagem do cinema mudo para o cinema sonoro e como isso gerou transtornos para atores, especialmente aquelas grandes estrelas cujo ego foi explorado até as últimas conseqüências por uma indústria insaciável.

O filme aborda a estranha relação entre Norma Desmond, uma esquecida estrela de cinema do cinema mudo, e Joe Gilli, um frustrado e pobre aspirante a roteirista de cinema. Gilli se encontra com problemas financeiros quando acaba chegando a casa de Norma. Ali, aproveita-se da decadente situação de uma rica e velha atriz de cinema que sonha com seu retorno aos holofotes de Hollywood através de um roteiro que escreve há 30 anos, para fazer algum dinheiro. Aos poucos a relação dos dois começa a se alterar, configurando-se numa prisão para Gilli e num paixão autodestrutiva de Norma pelo jovem rapaz. Porém, como não poderia deixar de ser, mistérios envolvem outros personagens, como o estranho mordomo Max Von Mayerling e a Betty Schaefer uma ambiciosa leitora que também quer escrever artigos com a ajuda do cativo Gillis., toda essa salada de intenções e ambições culmina em um desfecho trágico que o espectador conhece desde o primeiro momento do filme que se desenrola narrado pelo defunto Gillis.

A fantástica atuação de Gloria Swanson cuja atuação expressiva e estranha ao formato teatral cinematográfico contemporâneo ao filme contrasta com as demais atuações dos jovens atores. Esse contraste oferece uma boa visão do que foi mudança do cinema mudo para o falado, e como isso gerou dificuldades para os atores consagrados. A própria atriz que faz Norma passou por essa mudança, embora tenha conseguido manter-se atuando, ao contrário de diversos atores que terminaram por perder seus empregos.

Enfim, o filme é uma obra excelente e não é à toa que consta das mais diversas listas de filmes essenciais em revistas e sítios de cinema.
A seguir, algumas cenas de filmes noir que assisti e bem importantes para o cinema também: Gilda e Uma Rua Chamada Pecado.

Gilda (Charles Vidor, 1946)


A Street Car Named Desire (Elia Kazan, 1951)


Sunset Boulevard (Billy Wilder, 1950)

sábado, 2 de outubro de 2010

the brilliant green~~ goodbye and good luck [HD]

É um pouco como me sinto hoje. A música é bonita, não é apenas uma questão de se identificar com a situação da letra... Realmente gosto dessa banda e dessa performance em especial.
Mas, ao mesmo tempo, também sinto com se fosse nevar, numa noite gelada de inverno, também olho para trás, para os bons momentos e sinto medo do que virá...

Not feeling so good these times.. =(

(há o link para a tradução da letra no final da postagem)



Goodbye and Good Luck

It's likely to snow tonight
I gazed out of the window
"Goodbye and good luck my friend"

She said to me "Will you come/"
I didn't know whether to stay or go
I wish I could be there someday

Yes I think it's all right
She'll make out fine with no mistakes

Looking back on the good old days
We had a long talk about it
We were awake through the night oh yeah

I'll miss you very much if you move
I want to go there with you
My dream will come true someday

Yes I think it's all right
She'll make out fine with no mistakes

I wonder if it will be fine
Will be fine tomorrow
In the cold winter night I say

Goodbye and good luck to you yeah
I wish to go there
Oh see you again

I thought of the happy days
When I was in our dream
Yeah see you again
The snow whispers down wo yeah

Fall went quickly and X'mas
Come too soon It's time you went
I wish you good luck my friend

Looking back on the good old days
I cried till my eyes dried
I'm going to miss you

Yes I think it's all right
She'll make out fine with no mistakes

I wonder if it will be fine
Will be fine tomorrow
In the cold winter night, I say

Goodbye and good luck to you yeah
I wish to go there
Oh see you again

I thought of the happy days
When I was in our dream
Yeah see you again
The snow whispers down wo yeah

Say "Goodbye and good luck"
I'm with you all the way
Oh see you again

I thought of the happy days
When I was in our dream
Yeah see you again
The snow whispers down wo yeah

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Democracia e Crise

Lendo sobre Brasil Império me surgiu uma dúvida: uma democracia deve ser estável? Se Bonifácio que defendia uma monarquia constitucional nos meados do século XIX, acreditava que sem a monarquia não haveria liberdade e estabilidade, será que ele estava completamente errado?
De certa forma, pensarmos em uma democracia não implicaria certa instabilidade, fruto das disputas entre setores sociais e o embate constante que deveria caracterizar uma democracia real que sustentasse um espaço político de efetiva participação daqueles que compõe tal sociedade? Assim, não seria a crise, ou tendências a crise, uma característica (em devidas proporções) das sociedades democráticas?
Não se trata aqui de fazer uma defesa de regimes autoritários e não democráticos, mas, pelo contrário, de perceber que esse embate e crise são necessários e devem ser estimulados para que os processos de mudança político-social continuem a se constituir indefinidamente.
Não seria essa a lógica de uma democracia, não estaríamos em muito ainda presos a uma idéia de estabilidade que talvez seja incompatível com a idéia de democracia?

Talvez, uma pista para compreender isso seja o estudo da economia política, uma vez que quando pensamos em crise e na maioria de momentos históricos desde a constituição da sociedade moderna, a instabilidade política reflete em instabilidade econômica e, conseqüentemente, perdas econômicas especialmente para as elites que dominam, característica inerente às sociedades capitalistas.
Dessa forma a instabilidade política significa prejuízo, perda de lucro. Obviamente não podemos resumir os momentos de crise a apenas um prejuízo às elites, visto que setores médios e populares também perdem e sofrem com o evento, porém, usualmente, quando ouvimos na mídia e outros interessados na manutenção do interesses de tais setores - produzindo vasta literatura jornalística ou acadêmica sobre o assunto - relacionam em geral a crise a tais perdas de possibilidades de lucro ao que de fato estão interessados.
Em síntese, quero chamar a atenção que para sociedades em que a estabilidade econômica está no cerne das preocupações para a manutenção do lucro, tenta-se transpor tal idéia como algo universal - inválido de fato, visto que esses momentos podem gerar mudanças para outras formas organizacionais (chegando ao outros modos de produção) o que tentam combater - e que se relaciona muito mais com uma preocupação econômico-privada, chocando-se inevitavelmente com a lógica de uma sociedade democrática.

Obviamente esse combate à crise econômica está ligado muito mais ao espaço econômico-político de atuação de tal elite, uma vez que para um grupo uma crise econômica pode ser interessante quando representa oportunidade de alcance de um maior mercado - quebra concorrentes, países onde matérias e mão-de-obra se tornam mais baratos. A sociedade capitalista também se utiliza, assim, das crises para alcançar o êxtase de seu laissez-faire, todavia, não suporta que essas crises levem ao questionamento de sua própria estrutura, enquanto sistema econômico capaz de traduzir-se meio de ampla satisfação das necessidades humanas.

A democracia se mostrou interessante para esses setores quando representou oportunidade de chegarem ao poder em espaços antes limitados a outros grupos, sejam de outros interesses capitalistas, ou no caso do Brasil Império, da corte portuguesa. Assim como no Brasil momentos de lutas democráticas representou, na verdade, uma ascensão de uma elite interessada em outro tipo de política econômica mais voltada para a indústria (Revolução de 1930), mas que pode ser invertida quando em outros momentos utiliza-se da própria via anti-democrática (ditadura militar de 1964) para manutenção de seus interesses, e que a descarta quando não lhes mais interessa - Redemocratização de 1980.

Evidentemente não podemos restringir esses momentos de passagem histórica a tais estruturas, eles representam uma dinâmica mais ampla que diversos outros atores sociais interagem, porém podemos procurar diagnosticar a performance de certa elite durante tais processos e sua relação com o idéia de Democracia.

Democracia significaria certa crise e não seria ela do nosso interesse? Uma sociedade alternativa a sociedade capitalista que se paute a conservar liberdades individuais e políticas através da democracia deve compreender que esse espaço de questionamento e crise precisa ser preservado.

Liberdade real, não a liberdade proporcionalmente imaginária em prática e discurso de uma sociedade capitalista na qual a liberdade de consumo se apresenta enquanto liberdade e emancipação pessoal, na mesma medida em que excluí a maior parte da população daquilo que produz.

http://processosubjetivo.blogspot.com

PS: Céus, tanto estudo tem que servir para alguma coisa, tanto ler na universidade e não conseguir produzir algo concreto que seja nosso, a fim de expressar essas ânsias é angustiante. Trabalhar, militar, estudar, mas ser humano também! Arte e expressão tão em necessidade aqui... ¬¬
Não suporto essa coisa do "seja o homem que corre e faz de tudo", o homem moderno que tem que ser tudo e termina sendo nada e ainda por cima infeliz. Chega de cultivar a insatisfação como se isso proporcionasse caminhos de elevação individual, precisamos ser felizes!

domingo, 12 de setembro de 2010

69 - Praça da Luz / 69 - Luz Square



Esse final de semana voltei, finalmente, a ter maior contato com o Cinema... Vi alguns curtas através do excelente site PortaCurtas ( http://www.portacurtas.com.br/ ) - obrigado, Wagner, pela dica - e ao filme Equus que me atordoou um bocado, em uma discussão que problematiza as ciências psiquiátricas, a relação com o sagrado e as paixões humanas em um roteiro inusitado e complexo que nem me arrisco a descrever.

Quanto ao curta colocado, Praça 69, é um excelente documentário sobre prostitutas de meia idade... Vale muito a pena conferir!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Da deusa grega da caça

Ultimamente não são poucas minhas decepções com as relações político-afetivas no Movimento Estudantil. A racionalidade proveniente das relações políticas gera pessoas que elevam suas relações afetivas a uma dimensão negra e pegajosa.
Não suporto mais as pessoas que se entreolham por divergências políticas, enquanto não veem as confluências mais essenciais, especialmente a de serem todos seres humanos sujeitos a erros e vacilos. Ao contrário, vejo, na esquerda, uma desunião por métodos, enquanto não veêm que na essência, no principal são todos em geral partidários das mudanças sociais que defendem: o combate a opressão, sociedade realmente igualitária e democrática, isso tudo para que as pessoas possam ser mais felizes.

Bom, nesse cenário de frustração e decepção, olho a imagem da musa que mora na minha mente e sonhos há anos. Da pessoa que talvez tenha mais amado na vida, talvez pelo mesmo motivo de ter sido esse amor tão platônico em sua maior parte do tempo.
A vida nos separou e tentou a todo custo retirar esse gostar de meu peito, mas não consigo deixar de sentir tamanha ternura pela imagem amada.

Sinto que esse gostar é uma nostalgia que carece de explicação e que me remete a alguma coisa morna e carinhosa que nunca senti em outros braços que não os dela. Não sei direito, mas gera um misto de saudade, dor e de tranqüilidade que em um mundo de tanta sujeira, encontrei coisa tão bela!

Hoje assisti o último filme que saiu sobre Woodstock, e fiquei extasiado com a visão do que foi o sonho do movimento Hippie. Ao assistir tudo aquilo deu uma vontade de apenas... relaxar e ser feliz curtindo a presença dos semelhantes, dos amigos, da família, etc. Talvez por isso fiquei mais sensível aos apelos do passado.

Mas, o que queria expressar era essa gratidão, gratidão por esse sentimento bonito que essa lembrança me traz e que espero que mais que mera embrança, um dia possa transfigurar em abraço essa ternura.

No dia que a política conseguir abandonar uma falsa e suposta racionalidade completa, e entender essa dimensão doce e presente de nossa afetividade, quem sabe a gente consiga fazer movimentos sociais que se pautem humanos, pela sua mera humanidade, e não exclusivamente por suposta racionalidade...

=)

sábado, 14 de agosto de 2010

Just like it


And I'm too drunk so i can just do anything cuz i like it. And also speak english here... =D