segunda-feira, 4 de abril de 2011

Cultura política e breves reflexões sobre a esquerda brasileira

Texto escrito há muito para postar no blog. Mas com a correria dos estudos, nem me organizei para postar, mesmo com dois meses de atraso - e agora revisado - aí vai:

26/02/11


Ouvindo: A Banda – Chico Buarque


Sábado. Comecei o dia na abertura do Carnaval de João Pessoa, com direito a muito frevo, axé e, principalmente, Alceu Valença, cuja performance me fez esquecer de todo o cansaço de uma sexta-feira fatídica e dançar, cirandar e seguir o trio até às 2h da manhã, na bela Lagoa no centro de nossa cidade. Fico pensando o quão podemos ficar orgulhosos de nosso vasto país: temos artistas fantásticos capazes de nos emocionar, animar, rir, chorar. Brasil: apesar das desigualdades, ainda criadouro de arte e humanidade.

Deixando de lado toda essa ladainha piegas, falarei do real tema do texto: li um texto publicado na revista de “Estudos Históricos e Sociais” Fênix. O texto é do Professor e Pesquisador Alcides Freire Ramos da UFU e seu título é A luta contra a ditadura militar e o papel dos intelectuais de esquerda.

O tema de cultura política me interessou muito. Aborda-se o contexto pós 1964, quando a esquerda entrou em um grande período de auto-avaliação. A partir daí o Alcides Freire analisou como tais organizações se relacionaram com os terríveis rumos políticos tomados pelo nosso país e seu papel nesse processo. Assim, a esquerda identifica suas debilidades com ilusões e comportamentos “pequeno-burgueses” em seus quadros. Essa atitude está presente nos textos do PCB e outras frações dele, inclusive naquelas que adotaram a luta armada como saída política para a situação sufocante da ditadura militar brasileira.

O tema já me interessa um bocado, mas para além da questão de compreender um momento histórico, chamou-me a atenção para alguns indícios que permanecem muito presentes nas práticas e discursos políticos dos partidos de esquerda hoje. Não à toa, a todo momento o texto me remetia às experiências no Movimento Estudantil quando convivi, principalmente, com militantes do PSTU e Consulta Popular. Já achava alguns conceitos estranhos e um tanto inconsistentes – não os digo que são por si só, mas em como eram utilizados, ou seja, na sua função prática, no cotidiano político – e, assim, o tema se tornou mais curioso ainda. Lembrava a todo tempo as palavras de ex-companheiros de Centro Acadêmico ou militância dizendo – muitas vezes taxando – todo tipo de ação, ideias ou comportamentos como “pequenos-burgueses”, como uma maneira de deslegitimar práticas e ideias através da associação deles ao crime do fantasma do desvio de classe, ou melhor, de identidade de classe.

Parece-me, agora, mais tentadora a História Cultural que antes, ainda mais quando pode ser aplicada assim a temas políticos. Dessa forma, fico a todo momento pensando na ideia de Chartier que propõe a análise dos textos de uma sociedade a partir da tríade representação, prática e apropriação. OK, Não é a ideia deste texto esgotar ou analisar tal questão: isso requeria muito mais leituras, é mais um indicativo de reflexões que fiz durante minha atuação política e que agora estas leituras – do Chartier e do texto do Alcides Freire – tornam algumas coisas mais claras e curiosas.

Assim, fico pensando em como o marxismo – e isso certamente vale para outras teorias – é apropriado de forma diversificada por diversos intelectuais e que tais apropriações nem sempre correspondem as leituras que os militantes acreditam conhecer. Podemos falar em marxismos, embora muitos, mesmo na universidade e no movimento, insistam em tratar como algo único, partindo de certas noções de senso comum que o relacionam ao marxismo clássico da Europa oriental que está longe de ser a única abordagem da teoria marxista. Daí desse problema de formação e das práticas políticas há outro abismo: nem sempre esse "conhecimento" - como um fenômeno dado na prática, não da real compreensão de uma ideia tal qual é colocada por um autor - leva a uma prática realmente coerente com idéias marxistas, uma espécie de interrelação entre conhecimento e (des)conhecimento; ou, às vezes, compreensões claras, mas de teorias não mais interessantes levam a práticas desinteressantes.

Assim, surgem os fantasmas da “identidade pequeno-burguesa”, “peleguismo”, etc, que em vez de explicar ou guiar satisfatoriamente as ações políticas, mais maquilam outros preconceitos como racismo, machismo, dentre outros. Esse fenômeno que descrevo está relacionado a um tipo de prática no Movimento estudantil (caracterizado por uma "pequena burguesia" se utilizarmos o marxismo clássico), mas que acredito que se lança mão de tais conceitos, muitas vezes, os distorcendo e, a partir daí, relacionando-os a preconceitos e justificações de querelas políticas menores para legitimar ou deslegitimar práticas políticas opositoras.

No artigo da Fênix fica claro o impacto psicológico e social que tinham tais noções dentro das organizações de esquerda da segunda metade da década de 1960: pressões, confusões e, frente às péssimas condições político-estruturais que elas enfrentavam, muitas vezes culminando em atitudes suicidas. Obviamente não seria justo atribuir tais comportamentos tão somente à tais linhas políticas, mas também identificar que a truculenta repressão do período era o cenário para tais acontecimentos, o motor de tais conjunturas tão radicais.

O que quero chamar a atenção, é a criação desse "demônio", desse intruso, desse ente, que atrapalha e desorganiza as ações políticas. Em outro texto sobre a União Soviética, essa exaltação de uma cientificidade do marxismo que caía em certo cientifismo da época, culminou por ser prejudicial às relações políticas dali, dificultando, inclusive, as vias democrática internas dos bolcheviques.

O texto pode parecer um tanto quanto briguento demais - e confuso sem ser confrontado com o texto do Alcides Freire -, mas, para além das críticas à esquerda, continuo acreditando na maioria de seus valores. Mas, ao mesmo tempo, vejo o quão somos incipientes em matéria de política e a necessidade de avançarmos mais e mais na construção de um novo modelo de sociedade – algo extremamente necessário, permaneço acreditando. Até mesmo porque tais resoluções “radicais” ou “inconsistentes” não são simplesmente crias partidárias, mas de homens e mulheres que discutiram coletivamente e que escolheram dedicar suas vidas à criação de um mundo melhor. Foram tais homens e mulheres que foram trucidados na ditadura militar, não apenas vítimas lastimáveis de um regime violento, mas porque preferiram enfrentar quando muitos acovardar-se-iam. Essa é a história de nossa esquerda: erros, acertos, dores, feridas, risadas e muita coragem.


Procurem o texto!

domingo, 13 de março de 2011

Minhas Mães e Meu Pai

Curti o filme.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Pensando Brasil

(texto realizado para o eixo temático de debates do grupo Filosofia Carcará com a pergunta Por que uma filosofia Carcará?)


Quando somos, falamos ou pensamos em Brasil, vêm a nossa mente as mais diversas concepções e imagens, muitas abrangidas pelo extenso guarda chuva da palavra cultura, outras políticas, territoriais, históricas, etc. Mas, o fato é que o Brasil como nação e Estado não tem um histórico de consistência unívoca “ontológica”.


Hoje, até mesmo a mais simples afirmação do descobrimento do Brasil por Pedro Álvares Cabral em 1500 é contestada por historiadores, seja no caráter da personagem histórica ter sido realmente a primeira a fazê-lo ou do fato do próprio ato de descobrir – afinal já havia índios, e o único mistério do “Brasil” era para o resto do mundo, ou se formos mais objetivos, para a Europa que cunhou a ideia de descobrimento. Mas, podemos ir mais longe, e questionar inclusive o descobrimento de um Brasil, que na verdade será construído posteriormente, seja a palavra Brasil – éramos antes a Ilha de Vera Cruz –, seja a ideia de uma unidade política/territorial – éramos colônias de Portugal –, seja de um Estado – que surge com a formação do Império do Brasil –, ou a ideia de Nação tão debatida desde o Império por historiadores como Vanhagem até hoje – continuando nebulosa e contraditória, sem falar de diferente: o Brasil do século XIX até o XXI, não é uno, mas também diverso: são inúmeros e históricos Brasis que se inter-relacionam.


Até aqui foi focado a questão política e conceitual: duas heranças mais consolidadas da historiografia, muito embora não sejam as únicas formas de trabalhar tal temática. Hoje já levantamos outros questionamentos, historicizando o Estado, as territorialidades, as diversas formas de organizações políticas, as ideias de nação, os personagens/grupos sociais que compunham a nação – uma questão que exemplifica bem o delinear das perspectivas historiográficas que trouxeram aos holofotes diversos personagens – a corte, o povo, os esclarecidos, os negros, os índios, os estrangeiros, os portugueses, os paulistas, os cariocas, os nordestinos, os operários, os trabalhadores, os empresários, os movimentos sociais, gays, heteros, cabras-macho, travestis de carnaval, mulatas, prostitutas adultas e infantis, povo hospitaleiro e alegre ou um povo esfomeado? O Brasil da novela das oito ou de Rio 40 graus? - Não são apenas exemplos que explicam variações de perspectivas históricas, mas também olhares sobre homens e mulheres que compõe aquilo que chamamos de povo brasileiro, ou de Brasil – quais são as peças certas e seus locais no quebra-cabeça que é nosso país?


São grandes e inúmeros as perspectivas de divisão de nossa sociedade, todas historicamente localizadas. Hoje, com a defesa de uma pluralidade de perspectivas históricas, contemplamos uma salada de teorias que nos permite identificar o quão complexo é pensarmos nosso país, mesmo com o tão falado fenômeno da globalização, da economia de mercado, da cultura de massas, etc. - que tanto anunciam uma homogenização dessa diversidade - continuamos buscando o Povo Brasileiro e percebendo o quão diverso ele é. Essa procura continua atual, mas cada vez menores nos parecem antigas bússolas, mapas ou quaisquer teorias ou métodos que se mostravam ou se propunham completamente satisfatórios, ou seja, capazes de esgotar as questões – o que provavelmente sempre será. Não temos um Brasil, temos Brasis.


Mas, não foram apenas os intelectuais que pensaram o Brasil: a arte também pensou o Brasil, tomando seu quinhão e formando representações de brasilidade: de 1930 para cá – provavelmente antes, mas me limito a falar superficialmente dessa data para cá – foram muitos os movimentos que buscaram pensar nossa nação: a Semana de Arte Moderna, O Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa, O Cinema Novo e a estética da fome de Glauber Rocha, a estética Nacional e Popular, a UNE e o CPC, O Tropicalismo: esses e outros movimentos pensaram o Brasil de alguma forma, contribuindo nunca definitivamente para conhecer e construir nossa brasilidade.


Os conflitos de tais discussões continuam sendo discutidos ainda hoje: arte pela arte x arte engajada; Independência artística do Brasil e Imperialismo/Colonialismo; a busca pela cultura popular e sua oposição a uma cultura de elite; crítica/validação de uma “cultura burguesa”, etc. Esses conflitos perpassam não apenas a arte, mas outros âmbitos, como a economia: o nacionalismo varguista, a ditadura varguista, o nacionalismo militar, a ditadura militar, o populismo de Lula, Vargas, Jango. Os projetos, as posições políticas, todos representaram inúmeros projetos de Brasil que buscaram dar fôlego a algo que tenta se consolidar dia a dia, mas que se mostra maior e mais complexo a cada minuto que passa.


Mas tentemos não nos deixar impressionar: essa complexidade, essa indefinibilidade, essa diversidade, não é monopólio, não é característica única de nosso país. Assim, também com crises de identidade, com tropeços e acertos, com bons e maus frutos, também caminha a humanidade e seu conhecimento produzido.


Suas filhas, mais velhas que nosso país, também vivem em constante autocrítica e nos divãs das universidades, das salas de aula de ensino médio e fundamental, no banco de uma praça, na sarjeta de um centro de cidade, na estrada, no sol tropical, nas chuvas torrenciais, no abafado da mata amazônica em qualquer lugar desse país – e fora dele também -, renovam-se a História, a Filosofia, as artes, a Sociologia, a Música, em síntese: os conhecimentos reconhecidamente disciplinares que buscam apreender homens e mulheres em permanente mutação. Todavia, tais homens e mulheres, mais que proferirem palavras – embora alguns até tentem reduzi-los a elas! - comem, amam, dormem, cantam, dançam, vivem sua humanidade na plenitude que sua existência, condições e ações lhes permitem.


Essa indefinibilidade não é estritamente brasileira – embora tenhamos problemáticas, sim, tupiniquins. Ela é Européia, é asiática, é americana, é terráquea - ela é humana. Os objetos, o conhecimento, o pensamento, e, principalmente, a forma de pensar, embora, muitas vezes, propunham-se assim, não são imutáveis - elas acompanham a humanidade. Assim, seja o Brasil ou o conhecimento, não podemos enjaulá-los em formas estáticas ou vê-los como um cubo que, sem podermos ver todas as faces de uma vez só, abstraímos o que nos é negado ver por uma totalidade imaginária. Devem ser renovados e reconstruídos sempre, mas sem negar seu passado! Não deixemos para trás aquilo que já foi dito, mas nos apropriemos do conhecimento acumulado durante milênios, inclusive buscando aqueles que tiveram sua voz vetada, escondida, enterrrada, silenciada. Ampliemo-los em todas as direções, temporal, espacial e epistemologicamente, de forma pertinente e plausível.


Buscar novos horizontes, requer extrapolar as limitações usuais do pensar e também as práticas da academia. Pensar, apenas, não basta: há que se debater, discutir, contrapor, relacionar o conhecimento de um com o do outro, cada agente com sua herança de experiências e leituras – centenas de homens e mulheres dentro de cada um, em um grupo, formando um verdadeiro exército. Fomentando e realizando práticas.


Nasce assim a Filosofia Carcará, nesse desejo intenso de discussão, dessa sede de conhecimento, de discussão, mas acima de tudo de levar esse debate a algum lugar, de comunicá-lo de ser um agente histórico consciente e mais efetivo de seu tempo. Do não consentimento com as limitações políticas que nossa furada democracia tenta maquilar em belos textos tão distantes da realidade. A tentativa de se equiparar a ave de rapina que do alto vê uma maior proporção da barbárie humana, alimentando-se de seus dejetos, voando livre, odiada por homens e mulheres, anunciando sua morte quando o seu cantar ecoa noturnamente sob casas do interior paraibano.


Procuramos esse novo pensar Brasil e o conhecimento, sob a angústia e incerteza de um pensamento que tanto pode anunciar a vida ou a morte da humanidade. A permanência ou a ruptura com a barbárie do capitalismo, a busca por novos horizontes de conhecimento, de afetividade, de vida: pois queremos um pensamento no e para o mundo, para um Brasil que queremos ver florescer em um jardim camaleão: que tem a ousadia de mudar suas cores conforme o tempo passa, uma obra de arte que se constrói todo dia.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Re-pensando os horizontes do CINEFAGIA

"O Neo-Realismo italiano e a Nouvelle Vague são possivelmente os movimentos mais importantes de revigoramento do cinema na segunda metade do século passado. Ambos são diretamente originários do cineclubismo, da organização do público com vistas à participação crítica no processo cinematográfico, que levou à contestação das formas estabelecidas e à proposição criativa de novas. A partir dessas duas correntes, em maior ou menor medida, e através também dos cineclubes e algumas outras formas de reunião de jovens e cinéfilos, multiplicaram-se pelo mundo vários outros movimentos, que criavam, afirmavam, reformavam os cinema nacionais. E, por sua vez, influenciavam o cinema mundial. Foi muito claramente o caso do Cinema Novo brasileiro, mas igualmente de uma onda latino-americana que hoje denominamos Nuevo Cine, impulsionada, além do nosso, principalmente pelos cinemas de Cuba, da Argentina e do México. Também aconteceu na Tchecoslováquia, na Polônia, na Hungria. Na África árabe, principalmente no Egito, afetando os países do Magreb, e ao sul, à medida que avançava a independência das ex-colônias européias, também o cinema africano negro dava seus primeiros passos, quase sempre a partir de grupos cineclubistas. O cinema asiático, por sua vez, praticamente desconhecido no “Ocidente”, passou a dialogar com o cinema mundial através da atividade dos cineclubes ." ( http://cineclubes.org.br/tiki/HIST%C3%93RIA+DO+CINECLUBISMO )

Esse texto faz uma boa retomada da história do cineclubismo, acho que é uma boa leitura inicial para a gente discutir as bases do que foi/é/ e o que queremos com um Cineclube - conseguindo horizontes mais de fundamentação mais consistentes do CINEFAGIA.

Essa citação já é de mais da metade a frente do texto, quando saído da década de 1920 o autor chega no Pós-Segunda Guerra Mundial chamando a atenção para esses dois movimentos cinemotográficos que são oriundos de uma cultura cineclubista e que renovaram o cinema mundial, lançando importantes influências ao Cinema Novo Brasileiro.

domingo, 9 de janeiro de 2011

"Você já foi ao Japão?"

Comentário à postagem redirecionada do "blogdopituco" ( http://blogdopituco.blogspot.com/2010/05/154.html ) no Blog do Itárcio ( http://blogdoitarcio.blogspot.com/2011/01/voce-ja-foi-ao-japao.html ):

Acho complicado colocar a questão como se isso tudo fosse apenas imposto pelo cinema e TV - quando há certo grau de legitimação da própria população que termina por se identificar com as propostas estéticas que lhes são apresentadas - e colocar tudo como modismo. Concordo que há certos aspectos preocupantes na juventude como a despolitização, o gosto pelo descartável e a fugacidade das relações tão característico de nossa sociedade atual. Mas também acho que às vezes é preconceituoso resumir as coisas a "modismos" quando ela foge de uma identificação dos valores aos quais nos identificamos. Para mim, a questão seria entender o porquê de se desenvolver tal cultura, por exemplo, no Japão: por que o tipo de música produzido lá é tão diferente e com vozes que, às vezes, soam-nos tão desarmoniosas? Por que o surgimento de tal estética de vestuário? Quais os malefícios que isso poderia gerar?
Acompanhava a "cultura pop" japonesa antes de entrar na universidade, e embora hoje tenha diversas críticas ao que se produz lá, acredito que há muito de incompreensão cultural dos brasileiros, em geral, quando se deparam com aquilo que circula lá.
Acredito que, colocando na oposição capitalismo/socialismo, uma real sociedade com socialização - dos meios de produção material, deveria garantir meios democráticos, inclusive, de produção cultural e permitir as pessoas fazerem opções que lhes dão prazer. Apesar de toda essa cultura estar ligada, evidentemente, a uma questão de mercado, o que nos faz garantir que as pessoas não poderiam optar por fazer algo parecido em outras condições? Me preocupa às vezes essas questões, afinal, foi muito difícil para a esquerda ultrapassar, inclusive, a estética do realismo-socialista, que teve seu momento fértil mas depois representou um entrave artístico para muitos artistas que eram praticamente obrigados a permanecer naquele tipo de produção por ser "engajada"; aqui no Brasil isso gerou um movimento que deu origem à fantástica produção do Cinema Novo e do Tropicalismo.
Em suma, uma sociedade mais igualitária deve ser buscada com respeito às diversidades, artísticas inclusive.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Cinema Noir - O Crepúsculo dos Deuses

No CINEFAGIA estamos prestes a começar o estudo do Cinema Noir. Acabamos de estudar o gênero hollywoodiano Western e tem sido uma experiência gratificante conhecer tais momentos da história do cinema.

Assim, hoje assisti com amigos a Boulevard Sunset (O Crespúsculo dos Deuses, 1950), excelente filme em diversos sentidos, especialmente para compreender o que é Hollywood e sua máquina social cinematográfica no que se refere aos atores. Além disso, o filme problematiza a passagem do cinema mudo para o cinema sonoro e como isso gerou transtornos para atores, especialmente aquelas grandes estrelas cujo ego foi explorado até as últimas conseqüências por uma indústria insaciável.

O filme aborda a estranha relação entre Norma Desmond, uma esquecida estrela de cinema do cinema mudo, e Joe Gilli, um frustrado e pobre aspirante a roteirista de cinema. Gilli se encontra com problemas financeiros quando acaba chegando a casa de Norma. Ali, aproveita-se da decadente situação de uma rica e velha atriz de cinema que sonha com seu retorno aos holofotes de Hollywood através de um roteiro que escreve há 30 anos, para fazer algum dinheiro. Aos poucos a relação dos dois começa a se alterar, configurando-se numa prisão para Gilli e num paixão autodestrutiva de Norma pelo jovem rapaz. Porém, como não poderia deixar de ser, mistérios envolvem outros personagens, como o estranho mordomo Max Von Mayerling e a Betty Schaefer uma ambiciosa leitora que também quer escrever artigos com a ajuda do cativo Gillis., toda essa salada de intenções e ambições culmina em um desfecho trágico que o espectador conhece desde o primeiro momento do filme que se desenrola narrado pelo defunto Gillis.

A fantástica atuação de Gloria Swanson cuja atuação expressiva e estranha ao formato teatral cinematográfico contemporâneo ao filme contrasta com as demais atuações dos jovens atores. Esse contraste oferece uma boa visão do que foi mudança do cinema mudo para o falado, e como isso gerou dificuldades para os atores consagrados. A própria atriz que faz Norma passou por essa mudança, embora tenha conseguido manter-se atuando, ao contrário de diversos atores que terminaram por perder seus empregos.

Enfim, o filme é uma obra excelente e não é à toa que consta das mais diversas listas de filmes essenciais em revistas e sítios de cinema.
A seguir, algumas cenas de filmes noir que assisti e bem importantes para o cinema também: Gilda e Uma Rua Chamada Pecado.

Gilda (Charles Vidor, 1946)


A Street Car Named Desire (Elia Kazan, 1951)


Sunset Boulevard (Billy Wilder, 1950)

sábado, 2 de outubro de 2010

the brilliant green~~ goodbye and good luck [HD]

É um pouco como me sinto hoje. A música é bonita, não é apenas uma questão de se identificar com a situação da letra... Realmente gosto dessa banda e dessa performance em especial.
Mas, ao mesmo tempo, também sinto com se fosse nevar, numa noite gelada de inverno, também olho para trás, para os bons momentos e sinto medo do que virá...

Not feeling so good these times.. =(

(há o link para a tradução da letra no final da postagem)



Goodbye and Good Luck

It's likely to snow tonight
I gazed out of the window
"Goodbye and good luck my friend"

She said to me "Will you come/"
I didn't know whether to stay or go
I wish I could be there someday

Yes I think it's all right
She'll make out fine with no mistakes

Looking back on the good old days
We had a long talk about it
We were awake through the night oh yeah

I'll miss you very much if you move
I want to go there with you
My dream will come true someday

Yes I think it's all right
She'll make out fine with no mistakes

I wonder if it will be fine
Will be fine tomorrow
In the cold winter night I say

Goodbye and good luck to you yeah
I wish to go there
Oh see you again

I thought of the happy days
When I was in our dream
Yeah see you again
The snow whispers down wo yeah

Fall went quickly and X'mas
Come too soon It's time you went
I wish you good luck my friend

Looking back on the good old days
I cried till my eyes dried
I'm going to miss you

Yes I think it's all right
She'll make out fine with no mistakes

I wonder if it will be fine
Will be fine tomorrow
In the cold winter night, I say

Goodbye and good luck to you yeah
I wish to go there
Oh see you again

I thought of the happy days
When I was in our dream
Yeah see you again
The snow whispers down wo yeah

Say "Goodbye and good luck"
I'm with you all the way
Oh see you again

I thought of the happy days
When I was in our dream
Yeah see you again
The snow whispers down wo yeah